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Dez anos de Belo Monte: críticas sociais e ambientais continuam em destaque

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2026

Dez anos após sua inauguração, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte continua gerando controvérsias devido aos impactos sociais e ambientais no Pará. Comunidades locais ainda relatam perdas significativas e aguardam medidas de reparação.

O pescador Élio Alves da Silva, de 70 anos, relembra as transformações causadas pela construção da usina em Altamira. Morador da região desde antes do início do projeto, ele relata que as primeiras intervenções começaram ainda na década de 1980, com estudos técnicos e desmatamento para viabilizar a obra.

Com o avanço das obras, a rotina das comunidades foi profundamente alterada. A abundância de peixes no Rio Xingu, que sustentava famílias inteiras, começou a diminuir. Segundo Élio, explosões e intervenções no leito do rio afetaram diretamente a biodiversidade local.

Além das mudanças ambientais, houve deslocamento de moradores. Cerca de 67 famílias foram obrigadas a deixar suas casas. Promessas de reassentamento coletivo não foram cumpridas, e muitos receberam propriedades isoladas, sem estrutura adequada para manter suas atividades tradicionais.

Outro impacto significativo foi a perda de renda. Sem acesso ao rio e com a pesca comprometida, muitos trabalhadores ficaram sem sustento. Relatos indicam cancelamento de registros profissionais e ausência de assistência contínua.

A situação também afetou a segurança alimentar. A moradora Sara Lima, da comunidade Belo Monte do Pontal, afirma que a alimentação baseada em peixes foi substituída por produtos industrializados devido à escassez no rio. A mudança impactou diretamente a qualidade de vida das famílias.

Organizações sociais e entidades de defesa dos direitos humanos denunciam violações acumuladas ao longo dos anos. Em carta aberta divulgada recentemente, instituições apontam que eventos climáticos extremos agravaram os impactos já existentes, evidenciando fragilidades no projeto.

O documento também menciona posicionamentos internacionais que reforçam a responsabilidade dos países na proteção de populações afetadas por mudanças climáticas. A expectativa é que decisões futuras contribuam para a responsabilização por danos causados durante a construção da usina.

Do ponto de vista institucional, a usina é considerada estratégica para o fornecimento de energia no Brasil. Segundo a concessionária responsável, Belo Monte atende cerca de 5% da demanda nacional, podendo alcançar até 16% em períodos de maior consumo.

A empresa afirma ter investido mais de R$ 8 bilhões em ações socioambientais, incluindo infraestrutura em saúde, educação e habitação. No entanto, moradores e organizações afirmam que essas medidas não foram suficientes para compensar os prejuízos enfrentados.

Uma década depois, o cenário permanece marcado por disputas entre desenvolvimento energético e direitos das populações locais, mantendo o debate sobre Belo Monte em evidência.

Fonte: cenariomt

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