Mato Grosso

China busca expandir exportações de carne sustentável de MT

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Uma missão internacional liderada pela Câmara de Comércio da China para Importação e Exportação de Alimentos, Produtos Nativos e Subprodutos Animais (CFNA) está em Mato Grosso até esta quarta-feira (6) para avaliar, de perto, a produção de carne bovina sustentável do Estado e discutir a ampliação das relações comerciais com o mercado asiático.

A visita tem caráter técnico e estratégico. A China é hoje um dos principais destinos da produção agropecuária mato-grossense e a comitiva veio ao Estado para conhecer o modelo de rastreabilidade e sustentabilidade aplicado à cadeia da carne, desde a origem do animal até a chegada do produto ao consumidor final.

O primeiro compromisso foi realizado na segunda-feira (4), no Palácio Paiaguás, em Cuiabá, em reunião com o governador Otaviano Pivetta, secretários de Estado e representantes do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), que intermediou a agenda e atua como anfitrião da delegação.

A missão reúne técnicos da CFNA e cerca de 20 empresários asiáticos ligados aos setores de importação, logística e distribuição de proteína animal no mercado chinês. Mato Grosso foi escolhido como vitrine por ser considerado uma das principais regiões produtoras do país e por avançar em temas que hoje pesam cada vez mais na abertura e manutenção de mercados internacionais, como controle de origem, critérios ambientais, sanidade e transparência na cadeia produtiva.

“A visita ao Brasil está diretamente ligada ao avanço da carne com sustentabilidade. Mato Grosso já é reconhecido como uma das regiões mais avançadas do país nesse tema, e viemos entender como esse modelo funciona na prática, desde a fazenda até a chegada do produto ao mercado chinês”, afirmou a vice-presidente da CFNA, Yu Lu.

Além da carne bovina, a comitiva também avalia a capacidade produtiva do Estado em outras commodities, como soja e milho. O movimento faz parte de uma estratégia mais ampla da China para garantir segurança alimentar, diversificar fornecedores e fortalecer cadeias de abastecimento mais previsíveis.

“A gente não está olhando apenas para a carne bovina. Mato Grosso tem força também em soja, milho e outros produtos, e isso amplia o interesse da China na região”, completou Yu Lu.

Um dos pontos discutidos durante a reunião foi a cota de exportação de carne bovina para a China. Conforme apresentado na agenda, o Brasil tem autorização para embarcar 1,106 milhão de toneladas por ano. De janeiro a março, 46% desse volume já havia sido utilizado, o que gera preocupação entre produtores brasileiros sobre a manutenção do ritmo de vendas ao longo do ano. No ano passado, Mato Grosso exportou 978,4 mil toneladas de carne bovina para o mercado chinês.

Apesar do alto nível de utilização da cota, a avaliação da delegação chinesa é de continuidade nas compras, com possibilidade de estudos e ajustes futuros no modelo de controle de volume.

Do lado do Governo de Mato Grosso, o discurso foi de reposicionamento estratégico. A intenção é consolidar o Estado não apenas como grande produtor, mas como fornecedor confiável, sustentável e competitivo em um mercado internacional cada vez mais exigente.

“Mato Grosso não quer ser apenas um grande produtor. Queremos ser reconhecidos pela qualidade, pela sustentabilidade e pela rastreabilidade da nossa produção. É isso que garante acesso a mercado e competitividade no longo prazo”, afirmou o governador Otaviano Pivetta.

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Mayran Beckman, destacou que a presença da CFNA reforça a importância da rastreabilidade e das boas práticas como diferenciais competitivos para o Estado.

“Essa agenda mostra que Mato Grosso está sendo observado não só pelo volume que produz, mas pela forma como produz. A rastreabilidade e as boas práticas comerciais são diferenciais que colocam o estado em outro nível nas negociações internacionais”, afirmou.

Também participa das discussões a possibilidade de ampliar a pauta exportadora com a inclusão de miúdos bovinos, como fígado, rins, língua e coração, que ainda não integram a cota padrão chinesa, atualmente concentrada na carcaça bovina. A medida é vista como uma oportunidade de agregar valor à cadeia produtiva e ampliar ganhos para frigoríficos e produtores.

Para o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, Mato Grosso já exerce papel relevante na segurança alimentar chinesa, mas pode avançar em etapas mais qualificadas da cadeia.

“Mato Grosso já é essencial para a segurança alimentar chinesa porque entrega escala, regularidade e segurança. O próximo passo é avançar em valor agregado, industrialização e integração dessa cadeia com o mercado chinês”, destacou.

A programação da missão inclui visitas técnicas a frigoríficos e associações do setor, além de um workshop técnico organizado com o Imac nesta quarta-feira (6), para aprofundar discussões sobre sustentabilidade, rastreabilidade e novas oportunidades comerciais entre Mato Grosso e China.

Fonte: leiagora

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