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Superlotação no Hospital Regional causa dor e sofrimento, pacientes relatam a situação

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2026

O cenário atual do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul passa por pacientes internados em macas e cadeiras pelos corredores. Sem leitos suficientes para atender a demanda de pacientes no Hospital Regional, entenda o porquê a situação preocupa pacientes e profissionais da saúde.

Pacientes relatam serem atendidos de forma improvisada, e no pronto atendimento médico do Hospital Regional, as macas se acumulam pelos corredores pela falta de leitos adequados para internação.

“A gente sofre muito aqui no corredor correndo risco, né? De ficar mais doente. A gente vem procurar ajuda, né? Mas acaba ficando mais doente. É muito triste o que tá acontecendo isso. Esses corredores dos hospitais aqui do regional tudo lotado”.

Luciene Ferreira, aposentada

Atualmente, são 460 leitos nas enfermarias e 39 no pronto-socorro da unidade. Nesta quarta-feira (29), 413 pacientes estavam internados, sendo 74 somente no pronto-socorro.

Documentos obtidos pela reportagem demonstram que a ocupação do hospital está acima do limite desde o início de 2026. Em janeiro, este número chegou a 151%, e em março, subiu para 171%.

Conforme o Conselho Municipal de Saúde, a superlotação não se trata de um caso isolado, mas está ligado com a falta de leitos e a alta demanda de pacientes do interior do estado, conforme Jader Vasconcelos, presidente do conselho.

“Campo Grande recebe boa parte da demanda de alta complexidade média dos municípios do interior e o fato do hospital estar cheio hoje, na verdade, a gente entende que ele está mais cheio do que o normal, porque ele vive lotado e agora ele está superlotado, por quê? Nós temos nessa época, nesse período do ano, o aumento dos casos de síndrome respiratória aguda grave, que faz, sim, com que principalmente as crianças e idosos precisem procurar mais o serviço de saúde e às vezes esses casos são os que mais se complicam e precisam de um leito hospitalar.
E nós entendemos que isso gera, além das pessoas que estão procurando ou precisando de um leito hospitalar, nós temos também reflexos, por exemplo, em cirurgias eletivas, de repente, por conta da superlotação, o hospital não consegue estar realizando os serviços que realizam de forma rotineira”.

Jader Vasconcelos, presidente do Conselho Municipal de Saúde

Desde agosto de 2025, o pronto atendimento do HRMS fechou as portas para a demanda espontânea. Atualmente, o acesso é somente através da regulação. Na época, a Secretaria Estadual de Saúde justificou que a mudança pretendia organizar o fluxo e priorizar os casos mais graves.

Para a diretora-presidente da fundação responsável pelo Hospital Regional, Marielle Alves Corrêa Esgalha, a estratégia melhorou o fluxo, mas não conteve a superlotação.

“De cada 100 pacientes que a gente atendia, a gente só internava 30. Então, 70 pacientes vinham, eram medicados, faziam um exame complementar de baixa complexidade e eles eram liberados. Então, esses pacientes, eles poderiam sim ter sido atendidos em outras unidades, diminuindo até a necessidade da equipe de trabalho aqui do hospital.
Nós conseguimos inverter, então, essa taxa de conversão que a gente fala. Então, de cada 100 pacientes atendidos, quase 70 são internados e só 30 liberados, eles vêm com uma complexidade maior, eles exigem uma internação por maior tempo, isso diminuiu a rotatividade do hospital”.

Marielle Alves Corrêa Esgalha, diretora-presidente da Funsau

A mudança no perfil dos pacientes e a demora na liberação de leitos têm impacto direto em toda a rede pública de saúde, inclusive nas Unidades de Pronto Atendimento e nos Centros Regionais de Saúde.

“As UPAs e CRSs aqui em Campo Grande, também ficam superlotadas porque faltam leitos hospitalares, então o paciente, por lei, a portaria do Ministério diz que ele deveria aguardar 24 horas nas unidades de urgência, ele por vezes aguarda dias para que essa vaga, para que esse leito hospitalar saia, de fato, para que ele consiga sair da UPA e liberar o leito da UPA para que outro paciente possa ocupar.
Então acaba gerando uma consequência em cadeia, que faz com que não só os hospitais estejam lotados, mas também as unidades de urgência. E a gente entende que hoje isso acontece sucessivamente.

Jader Vasconcelos, presidente do Conselho Municipal de Saúde

Investigação

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) informou que realizou uma vistoria na unidade neste mês, e constatou que a superlotação persiste, e ao todo, três inquéritos apuram a situação do hospital.

Será investigado a superlotação no pronto atendimento adulto e pediátrico, e as condições estruturais da unidade. Já o segundo analisa os impactos das mudanças na regulação, principalmente no acesso da população aos serviços prestados pelo hospital.

O terceiro inquérito investiga o fechamento de leitos no HRMS e na Santa Casa de Campo Grande, situação que agrava a superlotação e dificulta o encaminhamento das unidades de pronto atendimento.

A diretora do hospital reconhece o sucateamento da estrutura do HR com problemas em elevadores e no ar condicionado. Segundo ela, a solução passa por uma reforma, mas sem parar o atendimento. estrutura, ela foi projetada e executada há 30 anos.

“Nós temos o SAD, que é o serviço de atenção domiciliar. Então, são aqueles pacientes que precisam de um cuidador, mas que podem ser tratados em casa. Nós temos a OPAT, que é um local onde o paciente vem só para fazer a medicação, então ele não fica internado.
Nós temos os leitos de retaguarda no Hospital São Julião. Então, também, o paciente ainda precisa de internação, não pode ir para acasa, mas ele pode ir para um local de menor complexidade, então ele vai quando ele tem condições. E aí a gente tem dentro da pediatria, por exemplo, que é o momento de infecções respiratórias e que afeta muito a pediatria, a gente também monta um grupo, coloca profissionais mais experientes para passar visita nos setores, para tentar agilizar as altas. A gente faz um combinado também com os setores de imagem, laboratório, para que eles agilizem os resultados de exame, para que isso também agilize o tempo de permanência do paciente no hospital”.

Marielle Alves Corrêa Esgalha, diretora-presidente da Funsau

A unidade deverá ganhar um novo bloco para permitir a reforma e desafogar a demanda, com o contrato previsto para ser assinado em maio, conforme o cronograma. Já o início das obras está previsto para dezembro de 2026 e janeiro de 2027, com dois anos para a conclusão da obra, que irá fornecer cerca de 250 novos leitos.

Em nota, o Governo do Estado informou que, até 2027, está prevista a abertura de 315 novos leitos nos Hospitais Regionais de Campo Grande e Dourados. na capital, estão em andamento reformas na UTI e na enfermaria pediátrica, com investimento de R$ 4,4 milhões. o estado destacou ainda que, em dezembro de 2025, foi realizado o leilão da parceria público-privada para concessão de parte dos serviços do Hospital Regional de Campo Grande, com contrato de 30 anos e investimentos superiores a R$ 8 bilhões, prevendo a construção de mais 215 leitos e a ampliação da capacidade total para 577 leitos, ressaltando que as 39 vagas do PAM não são consideradas leitos de internação.

Fonte: primeirapagina

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