Dez policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) por supostos crimes cometidos durante uma operação nas comunidades Nova Holanda e Parque União, no Complexo da Maré, em janeiro de 2025.
Segundo o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), os agentes são acusados de invasão de domicílio, descumprimento de missão e desobediência. As denúncias foram encaminhadas à Auditoria da Justiça Militar.
As investigações começaram após relatos de testemunhas ao plantão da ADPF 635, mecanismo voltado ao recebimento de denúncias sobre possíveis violações de direitos fundamentais durante operações policiais.
De acordo com o MPRJ, os policiais, vinculados ao Batalhão de Operações Especiais (Bope) e atuando sob o Comando de Operações Especiais (COE), teriam entrado em residências sem autorização judicial e fora das hipóteses legais, inclusive na ausência dos moradores.
Há relatos de que os agentes utilizaram uma chave do tipo “mixa” para acessar imóveis, surpreendendo moradores em algumas situações.
Ainda conforme a denúncia, os espaços teriam sido usados para fins pessoais, como descanso em sofás e camas, uso de banheiros e até consumo de bebidas encontradas nas residências.
O MPRJ também apontou que os policiais permaneceram por períodos prolongados dentro das casas, mesmo quando deveriam estar em ações operacionais externas.
Câmeras corporais
O uso irregular de câmeras corporais também foi citado nas denúncias.
Segundo o órgão, alguns agentes teriam obstruído intencionalmente os equipamentos, resultando em gravações com “tela preta”. Em outro caso, a câmera teria sido posicionada de forma inadequada, impedindo o registro correto das ações.
Além dos nomes já mencionados, outros policiais também foram denunciados por participação nas irregularidades.
As acusações incluem ainda descumprimento de missão, ao deixarem de executar atividades designadas para permanecer dentro dos imóveis sem justificativa operacional.
Posicionamento
A Corregedoria-Geral da Polícia Militar informou que instaurou procedimento para apurar a conduta dos agentes.
De acordo com a corporação, o relatório final das investigações foi encaminhado à Justiça Militar. A PM afirmou que atua com base na legalidade e transparência e declarou não tolerar desvios de conduta, adotando medidas quando há comprovação dos fatos.
Canal de denúncias
O plantão da ADPF 635 permanece disponível para o recebimento de denúncias sobre possíveis irregularidades em operações policiais. O canal aceita envio de informações como imagens, vídeos, áudios e documentos.
Fonte: cenariomt





