O que começou como um comentário dentro do BBB 26 rapidamente ganhou proporção fora da casa. A menção ao suposto mau hálito de Juliano Floss virou assunto nas redes sociais, com uma enxurrada de memes, opiniões e reações do público.
Em pouco tempo, o tema saiu do universo do reality e abriu espaço para uma discussão mais ampla e ainda pouco falada, sobre o mau hálito e o que realmente pode estar por trás dele.
Apesar da repercussão, especialistas alertam que o problema vai muito além da escovação e, na maioria das vezes, está ligado a fatores simples que passam despercebidos no dia a dia.
Segundo a dentista Alice Piran, a ideia de que o mau hálito está associado apenas à falta de higiene bucal ainda é um dos principais equívocos.
Não é só escovar: entenda as principais causas
De acordo com a especialista, o mau hálito costuma ter origem na própria boca e está relacionado a uma série de fatores comuns, como a saburra lingual, aquela camada esbranquiçada sobre a língua, além do acúmulo de tártaro, gengiva inflamada (gengivite ou periodontite), presença de cáries e a redução da saliva, conhecida como boca seca.
Hábitos do dia a dia também influenciam diretamente, como ficar muitas horas sem se alimentar, ingerir pouca água e o tabagismo.
Segundo Alice, nesses casos, o problema não está apenas na escovação, mas na necessidade de tratar a causa.
A dentista explica que a saburra lingual é uma das causas mais frequentes do mau hálito, embora ainda seja negligenciada por muitas pessoas. Essa camada branca ou amarelada é formada por bactérias, restos de alimentos e células mortas, elementos que favorecem diretamente o surgimento do odor.
Ainda segundo a especialista, é comum que a pessoa mantenha uma boa escovação e, mesmo assim, continue com mau hálito por não incluir a limpeza da língua na rotina de higiene.
Além da saburra, condições como gengivite, tártaro e cáries também têm forte influência. Esses problemas favorecem o acúmulo de bactérias e a retenção de resíduos, o que intensifica o mau odor.
Hábitos como longos períodos em jejum, baixa ingestão de água e até o estresse contribuem para a diminuição da saliva, que tem função importante na limpeza natural da boca. Com isso, o ambiente se torna mais propício à proliferação de bactérias, conforme Piran.
Hábitos que podem piorar o quadro
Além das causas bucais, hábitos simples também interferem diretamente no hálito.
“Ficar muito tempo sem comer, beber pouca água e até o estresse pioram o mau hálito. Tudo isso diminui a saliva, que é o que limpa a boca naturalmente”, explica.
Com menos saliva, as bactérias aumentam e o odor aparece com mais facilidade. É por isso que o mau hálito ao acordar ou após longos períodos em jejum é tão comum.
Apesar de ser uma crença comum, essa não é a principal causa. Segundo a especialista, a maioria dos casos tem origem na boca. Problemas gastrointestinais podem influenciar, mas são menos frequentes e geralmente estão ligados a condições específicas, como refluxo.
Como perceber o mau hálito
Nem sempre é fácil identificar o próprio hálito, já que o olfato se adapta ao cheiro. Ainda assim, alguns sinais podem indicar o problema:
- Gosto ruim constante
- Língua esbranquiçada
- Sensação de boca seca
- Odor perceptível no fio dental
Também existem formas simples de testar, como passar a língua no pulso, esperar secar e sentir o cheiro.
Quando deixa de ser normal?
O mau hálito ocasional é considerado comum, principalmente ao acordar ou após longos períodos sem se alimentar. Segundo a dentista, o sinal de alerta surge quando o problema se torna frequente ou persistente.
Entre os principais indícios estão:
- Mau hálito constante ou que retorna rapidamente após a escovação
- Gosto ruim frequente
- Sangramento gengival
- Sensação de boca seca
- Presença de tártaro ou cáries
De acordo com Alice Piran, o tratamento depende da causa, mas passa por uma rotina de cuidados básicos. Entre eles estão a higiene bucal adequada, com escovação correta, uso do fio dental e limpeza da língua, além da limpeza profissional em consultório, com profilaxia e raspagem.
A especialista também destaca a importância da hidratação e do tratamento de problemas bucais já existentes, como cáries, gengivite e acúmulo de tártaro.
Segundo a dentista, muitas pessoas ainda cometem falhas simples, como acreditar que o problema está apenas na escovação ou confiar que enxaguantes bucais resolvem a situação.
De acordo com a especialista, também é comum negligenciar a limpeza da língua, não utilizar fio dental e ignorar sinais como sangramento gengival. Outro erro frequente é tentar apenas mascarar o odor com chicletes ou balas, sem tratar a causa.
Fonte: primeirapagina





