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Iphan oficializa nova área protegida e destaca importância de Tia Eva no mapa nacional

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Depois do anúncio de que a Comunidade Remanescente de Quilombo Eva Maria de Jesus, conhecida como Tia Eva, será o primeiro quilombo tombado do Brasil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) divulgou, nesta terça-feira (10), um mapa que delimita a área que será protegida pelo poder público.

O instituto publicou, no Diário Oficial da União, notificação que mostra a área total. Confira:

A delimitação inicia na região sudoeste, no encontro da Rua do Seminário com a Rua Ciro Nantes da Silveira. O trajeto segue utilizando vias importantes como a Avenida Prefeito Heráclito Diniz de Figueiredo, cruza o Córrego Segredo e chega na Avenida Júlia Maksoud.

A demarcação ainda contorna os limites de um condomínio particular e segue pela Rua Canaã, retornando à Avenida Prefeito Heráclito Diniz de Figueiredo. A proteção também inclui a área de mata ciliar do Córrego Seminário e a Rua do Seminário, onde a área se fecha.

Símbolo de resistência

A área é a primeira comunidade remanescente de quilombola do Brasil a ser tombada. Com a resolução, a comunidade passa a ter proteção do Iphan.

O processo de tombamento fará parte do Livro do Tombo de Documentos e Sítios Detentores de Reminiscências Históricas de Antigos Quilombos e será oficializado nesta quarta-feira (10) na 112ª Reunião do Conselho Consultivo, no Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio de Janeiro.

O presidente do IPHAN em Mato Grosso do Sul, João Santos, participa do evento e destacou a importância do tombamento.

“Hoje, a gente tem a grata e imensa alegria de declarar a comunidade Tia Eva tombada. Isso significa colocar a história da comunidade Tia Eva, a história da Tia Eva e a história dos seus descendentes, uma história de luta, de resistência e de uma riqueza cultural gigantesca em evidência para todo o Brasil.”, afirma.

Para Raíssa Almeida Silva, arquiteta, moradora da comunidade e participante da Associação dos Moradores, o momento é uma grande conquista. Raíssa ajudou no resgate histórico e também participa da solenidade.

“Hoje, principalmente este ano, estamos tendo várias conquistas, tanto o tombamento da igreja, a reforma da igreja, como o tombamento da comunidade. Acho que nem ela imaginaria que a luta dela de anos atrás chegaria onde estamos hoje.”, conta a arquiteta.

História em reforma

Enquanto a comunidade comemora o tombamento, vê também o símbolo de fé idealizado por Tia Eva ser reformado. Depois de anos de espera, a Igreja São Benedito, conhecida como Igrejinha da Tia Eva, é revitalizada.

O prédio, que é patrimônio histórico de Mato Grosso do Sul, ficou interditado de maio de 2024 a janeiro deste ano devido ao risco iminente de desabamento.

A necessidade de uma reforma no local ganhou caráter de urgência em maio de 2024, quando a Defesa Civil interditou a igreja por risco de desabamento. Nove meses depois, em fevereiro de 2025, um novo laudo indicou que a situação da construção havia piorado: o telhado cedeu parcialmente e impediu de maneira definitiva a abertura da porta de entrada.

Ainda assim, foi necessário quase um ano de espera para a revitalização sair do papel. A restauração, que é realizada desde janeiro, é fruto de um projeto feito em 2021 e prevê a restauração arquitetônica da igreja, a conservação do sino, do busto de Tia Eva e do cruzeiro de madeira, além da requalificação completa do espaço comunitário no entorno da igreja.

A reforma deve durar mais de um ano e conta com investimento de R$ 2,2 milhões.

Fonte: primeirapagina

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