Turismo

Reinauguração da Salgadeira impulsiona turismo em Mato Grosso

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Fechado ao público desde setembro de 2010 por problemas ambientais e estruturais, o Complexo Turístico da Salgadeira, na MT-251, foi reinaugurado neste sábado (28), em mais um capítulo de uma história que há anos se arrasta entre interdições, promessas e mudanças de gestão. Desta vez, o governo de Mato Grosso entregou oficialmente o espaço ao Sesc, após nova revitalização bancada com R$ 6,2 milhões, numa tentativa de consolidar de vez um dos cartões-postais mais simbólicos do turismo regional.

O peso da reabertura vai além da estrutura física. A Salgadeira ocupa posição estratégica na rota entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães e é tratada pelo próprio Estado como o principal ponto turístico da Baixada Cuiabana. Em um momento em que Chapada aparece entre os 50 destinos mais procurados do Brasil em 2026, com apelo ligado ao turismo de natureza e cachoeiras, a retomada do complexo reforça a tentativa de Mato Grosso de qualificar a recepção aos visitantes justamente em uma de suas vitrines mais conhecidas.

A demora para que esse cartão-postal voltasse a funcionar de forma estável ajuda a dimensionar a importância do anúncio. Em 2013, no embalo das obras prometidas para a Copa do Mundo de 2014, o governo chegou a prever a reabertura da Salgadeira para o Carnaval daquele ano seguinte. O prazo não foi cumprido. O espaço, que era destino tradicional de famílias da Baixada Cuiabana, só foi reaberto em 30 de junho de 2018, depois de quase oito anos fechado e após investimento de R$ 12,6 milhões na reforma daquela etapa. Agora, 12 anos depois do cronograma traçado ainda sob a lógica do Mundial, o local passa por uma nova reinauguração e tenta, enfim, se firmar como equipamento turístico à altura da relevância que sempre teve para Mato Grosso.

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Foto: Tonico Pinheiro / Secom-MT

A interdição de 2010 ocorreu após o Ministério Público apontar uma série de irregularidades, como problemas no tratamento de esgoto, descarte inadequado de resíduos, processos erosivos, falta de licença ambiental e turismo desordenado, com degradação do córrego e da vegetação ciliar. A cobrança por um modelo de uso mais controlado e sustentável acompanhou toda a trajetória recente do complexo e voltou a embasar a nova fase inaugurada neste fim de semana.

Mesmo após a reabertura de 2018, a Salgadeira continuou enfrentando impasses. A empresa que venceu a concorrência pública naquele ano teve o contrato rescindido unilateralmente em 2023, após autuações por descumprimento de cláusulas contratuais, entre elas falhas de acessibilidade e problemas na Estação de Tratamento de Efluentes. O TAC firmado entre Estado e Ministério Público abriu caminho para a entrada do Sesc na gestão, primeiro em caráter emergencial, a partir de janeiro de 2024, e depois em concessão definitiva por 30 anos, formalizada em fevereiro deste ano.

Na prática, o governo tenta transformar um ponto que durante anos simbolizou abandono em um ativo do turismo sustentável. O complexo leva esse nome por remeter aos antigos caminhos dos tropeiros e segue listado pela Prefeitura de Chapada dos Guimarães entre os atrativos turísticos do município, com cachoeira, trilhas, mirantes e área de lazer. A força desse apelo ajuda a explicar por que, mesmo em meio aos problemas administrativos, a Salgadeira continuou atraindo público: em 2025, o espaço recebeu cerca de 147 mil visitantes, consolidando-se como um dos atrativos mais procurados do Estado.

A reabertura também dialoga com um cenário mais amplo de valorização da região. O Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, um dos mais visitados do país, recebeu mais de 147 mil visitas em 2023, segundo o ICMBio. A existência de um fluxo tão expressivo reforça a importância de equipamentos de apoio e lazer no entorno, especialmente em um corredor turístico que conecta Cuiabá ao principal destino de ecoturismo da Baixada Cuiabana. Nesse contexto, a Salgadeira volta não apenas como área de banho e contemplação, mas como peça importante na engrenagem econômica do turismo mato-grossense.

Com a nova fase, o acesso ao complexo será de terça a domingo, das 9h às 16h, com controle de público na área da cachoeira. A aposta do Estado e do Sesc é que, desta vez, a Salgadeira deixe de ser lembrada apenas como uma obra que atravessou governos e promessas frustradas, para retomar o lugar de patrimônio afetivo, ambiental e turístico de Mato Grosso.

Fonte: leiagora

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