Mundo

Europa apoia ofensiva contra o Irã, mas Espanha critica ação militar: Entenda os posicionamentos países europeus

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026 word2

A maioria das principais potências da Europa tem demonstrado apoio político ou logístico às ações militares conduzidas por Estados Unidos e Israel contra o Irã, em um cenário marcado por acusações de tentativa de promover uma mudança de regime em Teerã. A posição predominante entre governos europeus contrasta com a postura da Espanha, que criticou a guerra e defendeu o respeito ao direito internacional.

Reino Unido, França e Alemanha não condenaram os ataques contra o Irã, apesar das críticas sobre possíveis violações das normas internacionais. Em vez disso, esses países atribuíram ao governo iraniano parte da responsabilidade pelo agravamento do conflito e pressionaram Teerã a aceitar condições impostas por Washington e Tel Aviv.

De acordo com o direito internacional, o uso da força em conflitos desse tipo deve ocorrer apenas mediante autorização do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Ainda assim, as principais potências europeias não solicitaram reuniões emergenciais no órgão para discutir os ataques.

O Reino Unido condenou as retaliações iranianas contra bases norte americanas no Oriente Médio, mas não criticou os bombardeios iniciais. Além disso, Londres tem oferecido apoio logístico aos Estados Unidos por meio de suas bases militares na região.

Na França, o governo anunciou o envio de dois navios de guerra ao Oriente Médio para participar de operações classificadas como defensivas. Ao mesmo tempo, o presidente Emmanuel Macron afirmou que pretende ampliar o estoque de ogivas nucleares do país e criticou o programa nuclear iraniano, que Teerã afirma ter finalidade pacífica.

A Alemanha adotou posição semelhante, declarando que não é momento de criticar aliados envolvidos no conflito. O governo alemão afirmou compartilhar dos objetivos de Estados Unidos e Israel em relação ao Irã e indicou disposição para colaborar com uma eventual recuperação econômica do país após o conflito.

Em declaração conjunta, Alemanha, França e Reino Unido pediram o fim do que classificaram como ataques imprudentes do Irã e afirmaram que poderão adotar medidas consideradas defensivas para neutralizar a capacidade iraniana de lançar mísseis e drones.

Outros países europeus também sinalizaram apoio indireto. Portugal autorizou o uso de bases militares nos Açores pelos Estados Unidos, enquanto a Itália tem buscado ampliar a cooperação de defesa com países do Golfo e criticado ações do governo iraniano contra sua população civil.

Europa assume posição no conflito

Para o historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Francisco Carlos Teixeira da Silva, a postura da Europa indica alinhamento político com Washington e Tel Aviv. Segundo ele, ao classificar o governo iraniano de forma negativa durante a guerra, os países europeus acabam demonstrando claramente de que lado estão no conflito.

O especialista também destacou que França, Alemanha e Reino Unido, todos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, não tomaram iniciativa para levar a discussão ao órgão internacional.

Segundo o historiador, o cenário é preocupante porque o ataque ao Irã ocorreu em meio a negociações diplomáticas com os Estados Unidos, o que fragiliza a confiança em processos de diálogo internacional.

Como resposta ao apoio europeu à ofensiva, a Guarda Revolucionária do Irã alertou que embarcações de Estados Unidos, Israel e países europeus não deveriam atravessar o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela significativa do comércio global de petróleo.

Relação com os Estados Unidos

Na avaliação de analistas, a postura europeia também pode estar relacionada a uma tentativa de preservar a relação estratégica com Washington. A aproximação ocorreria em meio a tensões recentes envolvendo interesses dos Estados Unidos em territórios estratégicos europeus, como a Groenlândia.

Para alguns especialistas, a União Europeia busca demonstrar alinhamento político e militar com os Estados Unidos, inclusive no apoio a Israel, como forma de manter sua relevância estratégica dentro da aliança ocidental.

Espanha diverge e critica a guerra

Em contraste com a maioria dos parceiros europeus, o governo espanhol, liderado pelo primeiro ministro Pedro Sánchez, criticou abertamente o conflito. O líder afirmou que a questão central não é apoiar o regime iraniano, mas sim defender o respeito ao direito internacional e à paz.

Sánchez também citou os impactos da Guerra do Iraque como exemplo de como intervenções militares podem provocar efeitos duradouros, incluindo aumento do terrorismo, crises migratórias e elevação dos preços da energia.

A posição espanhola gerou repercussão internacional e irritou autoridades norte americanas. O presidente dos Estados Unidos chegou a ameaçar medidas comerciais contra Madri. Posteriormente, autoridades norte americanas afirmaram que a Espanha cooperaria com a estratégia militar, afirmação negada pelo governo espanhol, que reiterou que sua posição sobre o conflito permanece inalterada.

Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.

Fonte: cenariomt

Sobre o autor

Avatar de Redação

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.