É parte do instinto de cada espécie, assim como cada pássaro sabe fazer um tipo de ninhos, ursos sabem quando hibernar e bebês humanos sabem mamar. Essas “instruções” estão ligadas ao DNA, que orienta o desenvolvimento do corpo e do sistema nervoso responsáveis por esse comportamento, sem que ele precise ser aprendido.
Existem inúmeros padrões e formatos de teias, e cada um deles serve a um propósito específico. Os especialistas podem identificar uma espécie de aranha só com base em sua teia. As aranhas (e, consequentemente, suas teias) evoluíram junto com o ambiente ao redor, se adaptando aos desafios e possibilidades.
As aranhas-de-jardim, por exemplo, costumam criar teias daquelas bem tradicionais, esticadas entre galhos, ideais para capturar pequenos insetos voadores. Já as caranguejeiras criam abrigos em buracos no solo, e tecem fios para tapar a entrada. Assim, o principal objetivo de suas teias não é capturar presas, mas protegê-las dos predadores e do clima das florestas tropicais.
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Se uma teia para de cumprir o seu objetivo, há uma chance maior da aranha não conseguir sobreviver. Aí entra o básico da seleção natural: no mundo animal, vence quem consegue se reproduzir. A incapacidade de sobreviver faz com que as características desse indivíduo não sejam passadas para a próxima geração, e, assim, os indivíduos que fazem teias mais adequadas vão se tornando maioria.
Alguns fatores ambientais, entretanto, podem afetar o formato das obras das aranhas. Em situações de estresse, elas liberam um hormônio que acelera a produção da teia. Quando em ambientes de muito vento, muitas espécies alteram a composição química, tensão e espaçamento dos fios e área de suas teias.
Há ainda algumas pobres aranhas que são forçadas a mudar o formato de suas teias ao serem parasitadas por vespas. O processo parece uma transformação em zumbi saída da TV: tudo começa com um ovo de vespa sendo colocado no abdome da aranha. Quando o ovo eclode, a larva de vespa começa a viver como parasita, se alimentando da hemolinfa (o “sangue” das aranhas) por buraquinhos na superfície do abdome.
A larva libera substâncias que modificam o comportamento natural da aranha – algumas espécies são induzidas a abandonar suas colônias – e a faz produzir teias parecidas com casulos, muito densas e reforçadas. Alguns dias depois, a larva mata e se alimenta da aranha, e entra em seu casulo encomendado especialmente para protegê-la durante a metamorfose que a transformará em vespa.
Quando cientistas removem a larva, ainda há salvação: dentro de alguns dias elas voltam a construir teias normais. Não se sabe exatamente que tipo de substância provoca esse efeito psicotrópico – uma hipótese é que os hormônios de amadurecimento da larva sejam transferidos para a aranha durante a alimentação. Aí, a aranha, confusa, acreditaria que estava na hora de ela mesma amadurecer, e passar pela ecdise (ou muda). Nessa fase, algumas espécies já fazem teias mais reforçadas – e o bug pode favorecer a confecção das tais teias-casulos.
Outras substâncias naturais e sintéticas podem modificar a formação de teias. Na década de 1940, o pesquisador Peter Witt testou o efeito de várias drogas psicoativas – mescalina, morfina, benzedrina, escopolamina e maconha – na confecção de teias. Ele foi um dos primeiros a mostrar que drogas provocavam diferentes efeitos nos formatos das teias e características dos fios.
Décadas depois, um estudo da Nasa encontrou resultados semelhantes com outras substâncias – benzedrina e maconha foram mantidas, e foram adicionados na lista o hidrato de cloral (um sedativo), e a cafeína. Esta última roubou a cena, já que teve os efeitos mais drásticos nas teias.

A cafeína é tóxica para vários insetos, e, para alguns pesquisadores, o efeito nas aranhas sugere que a substância pode ter evoluído como um tipo de “pesticida natural” para proteger as plantas.
Fontes: artigo “Proximate mechanism of behavioral manipulation of an orb-weaver spider host by a parasitoid wasp”; artigo “Spider webs and drugs” de Peter Witt; livro “Biology of spiders”, Oxford University Press; Adriana Rios Lopes, pesquisadora do Instituto Butantan.
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Fonte: abril






