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Conversas no Caso Henry Borel aumentam suspeitas de corrupção no IML do Rio de Janeiro

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Prints atribuídos a extração realizada por meio do software de perícia digital Cellebrite indicam conversas com um contato identificado como “Gabriela IML” e registros de buscas feitas no dia da morte do menino Henry Borel. O material, que circula publicamente e está sob análise jurídica, inclui ainda comparações entre versões de laudos necroscópicos e mensagens trocadas dias após o crime.

O que mostram as mensagens

Os registros extraídos apontam diálogos datados de 23 e 24 de março de 2021. Entre as mensagens atribuídas ao contato salvo como “Gabriela IML” aparecem expressões como:

“Vou te ajudar”
“Pode contar comigo”
“A pedido dos delegados”
“Vou ficar no anonimato ok”
“Não é bom eu aparecer”

Também consta compartilhamento de contato identificado, no registro do aparelho, como vinculado ao IML, além de menção à expressão “médico legista”.

Até o momento, não há confirmação pública independente sobre a autenticidade integral das mensagens nem sobre eventual validação pericial oficial do conteúdo divulgado.

O material de áudio foi divulgado no canal de Paulo Mathias (@paulomathias), e passou a circular nas redes sociais, reacendendo o debate público sobre a condução das perícias no caso. A reportagem menciona a origem da divulgação para fins de transparência, sem que isso represente validação do conteúdo apresentado. A existência das conversas pode levantar questionamentos sobre a comunicação entre envolvidos no período em que as investigações estavam em curso, especialmente considerando que parte dos diálogos menciona atuação vinculada ao IML.

Registros de localização no dia 8 de março

Os arquivos extraídos mostram registros classificados como “Searches” e “Navigates” no aplicativo Waze para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia no dia 8 de março de 2021.

Especialistas explicam que:

• A categoria “Searches” indica apenas pesquisa de endereço no aplicativo
• A categoria “Navigates” pode indicar início de rota
• Nenhuma dessas classificações, isoladamente, comprova presença física no local

Para que houvesse confirmação de deslocamento, seria necessário laudo técnico detalhando dados contínuos de GPS, precisão e cadeia de custódia.

Diferenças entre o 4º e o 5º laudo necroscópico

O material destaca diferenças na redação técnica entre o 4º e o 5º laudo necroscópico.

Em um trecho, o 4º laudo menciona “existência de infiltrado inflamatório”, enquanto o 5º registra “ausência de infiltrado sanguíneo”. Ambos teriam sido encerrados no mesmo dia, com diferença de horário.

Especialistas ressaltam que ajustes ou complementações em laudos podem decorrer de revisões técnicas, respostas a quesitos ou reavaliações, não configurando automaticamente irregularidade.

O que é possível afirmar até agora

Com base no conteúdo divulgado, é possível afirmar que:

• Há registros de extração digital atribuídos a aparelho vinculado às investigações
• Existem mensagens trocadas com contato identificado como “Gabriela IML” em março de 2021
• Há registros de busca e possível navegação para o INTO no dia da morte
• Existem diferenças técnicas na redação de versões de laudos

No entanto, qualquer conclusão sobre eventual corrupção ou tráfico de influência depende de confirmação de autenticidade, análise pericial completa e eventual apuração formal por órgãos competentes.

Defesa e posicionamento institucional

A defesa afirma que o material integra estratégia jurídica legítima e sustenta que não houve qualquer tentativa de interferência indevida em atos periciais.

A reportagem solicitou posicionamento da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Instituto Médico Legal sobre o conteúdo divulgado e aguarda resposta.

Contexto do caso

Henry Borel morreu em março de 2021, no apartamento onde vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, o ex-vereador Dr. Jairinho. O caso foi amplamente noticiado desde 2021 e passou por diferentes etapas investigativas e periciais ao longo do processo. Perícias posteriores descartaram hipótese de acidente e apontaram que as lesões identificadas foram compatíveis com agressões.

Com a divulgação de novas mensagens, prints e áudios, o caso volta ao centro do debate público, agora sob questionamentos relacionados à comunicação entre envolvidos e integrantes da estrutura pericial à época dos fatos.

Foto: Guilherme Nery

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