Para os seres humanos, as roupas são mais do que ferramentas úteis: além de proteger contra o clima ou esconder as partes íntimas, as vestimentas (assim como penteados ou acessórios) também são pistas visuais que, numa batida de olho, comunicam uma série de coisas: profissão, gênero, classe social, nacionalidade, personalidade etc. Da mesma forma, animais também têm suas “roupinhas” – características visuais que sinalizam quem eles são.
Os pavões, por exemplo, usam suas caudas luxuosas para se mostrarem mais atraentes às fêmeas, ou para intimidar outros machos. Já os lagartos anolis-verdes, que são bastante territoriais, deixam suas papadas vermelhas de fora para provar para invasores que são os donos do bairro.
No caso dos peixes-palhaços, as roupas são suas listras, faixas brancas que envolvem seus corpinhos laranja. Na prática, elas servem como recursos visuais que indicam a posição que cada peixinho ocupa na hierarquia social submarina. Tudo depende da quantidade de listras (e, sim, isso significa que os peixes são capazes de contar, pelo menos, até três).
Siga
Mas não para por aí: assim como nós, eles também mudam de estilo ao longo da vida. Para cerca de um terço das espécies de peixes-palhaços, o número de listras vai diminuindo com o passar dos anos.
Em um novo estudo publicado no periódico PLOS Biology, cientistas do Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa (OIST), no Japão, analisaram como essa mudança acontece no corpo dos peixinhos. Segundo a equipe, o processo depende do contexto social do grupo.
Procurando Nemo
Vamos do começo: as famílias de peixes-palhaço são bem mais complicadas do que a Pixar faz parecer. Cada comunidade, com 3 a 7 integrantes, reside em sua anêmona, animais imóveis e cheios de tentáculos tóxicos – mas que não fazem mal aos peixes. Trata-se de uma relação de cooperação, talvez a mais famosa dos mares.
Nas famílias de peixe-palhaço-tomate (Amphiprion frenatus), a espécie analisada no estudo, há uma fêmea (a maior entre todos os indivíduos), que defende o território, um macho reprodutor, que cuida dos ovinhos, e outros peixinhos ainda imaturos. Por vezes, quando a fêmea morre, alguns machos trocam de sexo e fazem ovinhos com os próprios filhotes – uma família nada tradicional.
Nessa estrutura, é como se os pais fossem as figuras dominantes, enquanto os outros peixinhos são subordinados; e o que diferencia todo mundo, além do tamanho do corpo e das cores, é justamente a quantidade de listras. Os adultos têm uma listra, enquanto infantes têm duas.
Isso diferencia não apenas os indivíduos de uma comunidade, como também aqueles que vêm de fora. Pode não parecer, mas peixes-palhaços são extremamente territoriais e violentos. Entre a família, a paz impera. Se um peixe de fora aparece, mas é de outra espécie, ou indica, pela quantidade maior de listras, que é um subordinado, também não há problema. Contudo, quando um peixe-palhaço dá de cara com um invasor que tem a mesma quantidade de listras, a confusão começa.
No vídeo abaixo você consegue ver dois se desentendendo.
Em espécies como o peixe-palhaço-tomate, geralmente os filhotes nascem com duas faixinhas, e perdem uma delas ao atingirem a fase adulta. Para testar como isso acontecia, os pesquisadores filmaram peixes jovens em dois contextos distintos. No primeiro, os peixinhos conviviam nas anêmonas com outros peixes mais velhos. No segundo, os peixes infantes seguiam a vida em ambientes vazios, sem anêmonas ou com anêmonas falsas.
Aqueles que cresciam na presença de peixes mais velhos, como no primeiro caso, perdiam suas listras mais rápido, enquanto os peixes solitários demoravam mais. A explicação para isso, segundo os pesquisadores, pode estar no ciclo de vida desses animais.
Quando nascem, os pequeninos peixes-palhaço saem livres pelo mar afora até encontrarem uma anêmona para chamarem de sua. Porém, como vimos, chegar a uma nova comunidade com a mesma quantidade de listras que seus peixes adultos pode dar briga, e uma mordida já pode ser fatal para o peixinho jovem.
Uma vez incluído na família, o peixinho pode, então, ter sua ascensão social: com o tempo, ele perde a faixa extra dos subordinados para se tornar um dos dominantes. Os cientistas supõem que, no caso do peixinho solitário, manter essa faixinha no corpo por mais tempo pode ser uma medida de segurança, uma forma do peixe ainda parecer subordinado enquanto não encontra seu lar.
Colocado o fator social, falta ainda entender como que uma faixa inteira some do corpo de um bicho. Para isso, os pesquisadores usaram um microscópio para analisar os iridóforos – as células que dão a cor branca às listras. Eles perceberam que essas células simplesmente definham e morrem, e nunca são substituídas por outras iguais.
Com essa pesquisa, os especialistas procuram também entender o quanto adaptações como a perda de listras dos peixes e outras transformações desencadeadas pelo ambiente podem contribuir para a formação da biodiversidade.
“Embora tenhamos nos concentrado nas mudanças na duração de vida de indivíduos, os motores ambientais e os padrões genômicos dessas mudanças são frequentemente semelhantes em um nível evolutivo. No longo prazo, essas respostas adaptativas podem evoluir para diferenças fixas entre as espécies. Portanto, tais estudos podem nos aproximar de desvendar os mistérios dos nossos diversos ecossistemas de recifes”, afirma, em nota, Laurie Mitchell, pesquisadora e coautora do estudo.
(function() {
‘use strict’;
var playersData = [{“container_id”:”dailymotion-player-488733-0″,”type”:”playlist”,”id”:”xbdhda”,”player_id”:”x1iumm”}];
var libraryPlayerId = “x1iumm”;
function createDailymotionPlayers() {
if (typeof dailymotion === ‘undefined’) {
return false;
}
playersData.forEach(function(playerData) {
var config = {
params: {
mute: true
}
};
if (playerData.type === ‘video’) {
config.video = playerData.id;
} else if (playerData.type === ‘playlist’) {
config.playlist = playerData.id;
}
if (playerData.player_id && playerData.player_id !== libraryPlayerId && playerData.player_id !== ‘default’ && playerData.player_id !== null) {
config.player = playerData.player_id;
}
dailymotion.createPlayer(playerData.container_id, config)
.then(function(player) {
var container = document.getElementById(playerData.container_id);
if (container) {
var iframe = container.querySelector(‘iframe’);
if (iframe) {
iframe.setAttribute(‘loading’, ‘lazy’);
}
}
})
.catch(function(error) {});
});
return true;
}
var retryCount = 0;
var maxRetries = 20;
function tryCreatePlayers() {
if (createDailymotionPlayers()) {
return;
}
retryCount++;
if (retryCount < maxRetries) {
setTimeout(tryCreatePlayers, 200);
}
}
if (document.readyState === 'loading') {
document.addEventListener('DOMContentLoaded', tryCreatePlayers);
} else {
tryCreatePlayers();
}
})();
Fonte: abril






