Todo mundo já teve um colega que, em vez de ajudar, soltou aquele comentário irônico em uma reunião, ou um amigo que te colocou em uma “saia justa”. No Brasil, esta pessoa tem nome e sobrenome: Amigo da Onça.
Expressão utilizada há décadas por grande parte dos brasileiros, nasceu da união entre uma piada de caçadores e o traço genial de um pernambucano.
Tudo começou em 1943, nas páginas da icônica revista O Cruzeiro. O cartunista Péricles de Andrade Maranhão recebeu a missão de criar um personagem que personificasse o “esperto” urbano, aquele indivíduo que se diverte com o problema alheio.
O personagem surgiu impecável: sempre de terno, com um bigode fino e um sorriso que misturava cinismo e bondade. Nascia o Amigo da Onça, que não era um vilão cruel, mas um mestre da inconveniência e da “rasteira” moral.
A inspiração para o nome veio de fato curioso que circulava nas rodas de conversa da época. A história narra o diálogo entre dois caçadores, onde um deles, com perguntas sucessivas e cada vez mais desesperadoras, tenta encurralar o colega diante de um ataque hipotético de uma onça.
Ao perceber que o homem torcia, na verdade, para a fera, o caçador questiona: “Mas afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?”.
Com a astúcia necessária a um bom cartunista, Péricles captou essa essência e a transformou em crônica visual. Durante quase duas décadas, o personagem foi o reflexo satírico de uma sociedade que aprendia a lidar com as ambiguidades das relações sociais modernas.
Mesmo após a morte prematura de Péricles, em 1961, o personagem não morreu. Ele foi continuado por outros artistas, como Carlos Estêvão, mas seu maior triunfo foi escapar do papel e ganhar as ruas.
De acordo com linguistas, o termo tornou-se uma expressão idiomática consolidada. Ele sobreviveu não só ao fim do seu criador, como à extinção da revista O Cruzeiro .
Com informações do Guia do Estudante.
Fonte: primeirapagina






