Com o aumento do volume de chuvas em Cuiabá, a situação de prédios antigos no Centro Histórico voltou a acender um alerta sobre riscos estruturais e preservação do patrimônio. Nesta terça-feira (10), a Prefeitura confirmou a necessidade de realizar a demolição da fachada da antiga Gráfica Pepe. A medida foi tomada após vistorias técnicas apontarem comprometimento da estrutura do imóvel.
O problema ganhou destaque na segunda-feira (9), quando o MISC precisou ser fechado por tempo indeterminado justamente por conta do risco de colapso do prédio vizinho. Construído na segunda década do século XIX, o casarão funcionou como a primeira gráfica de Cuiabá.
Com as chuvas recentes, parte da estrutura apresentou sinais de instabilidade, aumentando o risco de desabamento. Em entrevista ao Primeira Página, o diretor do Centro Histórico de Cuiabá, Josino Moura, afirmou que uma vistoria conjunta entre órgãos municipais e equipes de emergência confirmou a necessidade de intervenção imediata.
“Com a chuva de antes de ontem e ontem, ele quase veio abaixo. Foi feita uma vistoria técnica entre Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Secretaria de Planejamento, Secretaria de Obras e entendemos a necessidade de fazer uma demolição parcial para evitar uma ruína e um desastre maior”, contou o diretor.
A operação de demolição, no entanto, depende de ajustes logísticos por conta da infraestrutura da região. Segundo o diretor, por conta da rua estreita e da fiação de internet e energia, há necessidade de um trabalho conjunto para demolição.
A prefeitura avalia realizar a intervenção entre quinta-feira (12) e sexta-feira (13), com o uso de um caminhão munck da Secretaria de Obras. Para isso, será necessário interromper temporariamente o fornecimento de energia na área.
Situação do Centro
Além da ação emergencial, a situação reacendeu discussões sobre o estado de conservação de outros prédios históricos no centro da capital. Segundo Josino, o município já iniciou um levantamento para identificar imóveis em situação semelhante e classificar o nível de risco estrutural.
“Temos duas dezenas de prédios nessa situação. Vamos fazer uma gradação da condição de ruína de cada um deles e abrir procedimento de arrecadação desses imóveis”, explicou.
O processo de arrecadação, conforme o diretor, não significa que o município pretende assumir a posse definitiva dos prédios, mas sim pressionar os proprietários a tomarem providências para a recuperação das estruturas. Ainda segundo o diretor, todos os imóveis identificados nessa condição são de propriedade privada.
A demolição parcial da fachada também levanta preocupação sobre a preservação do patrimônio histórico da cidade. Para a superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Mato Grosso, Ana Joaquina da Cruz Oliveira, a perda de parte da estrutura representa também a perda de informações históricas.


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“Há sim a perda de informações do patrimônio. Querendo ou não, você está perdendo parte de um bem que é coletivo, que é patrimônio cultural brasileiro”, comentou a superintendente.
Segundo ela, além da intervenção emergencial para garantir a segurança da população, o órgão mantém um processo administrativo para apurar responsabilidades pela deterioração do imóvel.
“Quando você deixa de conservar esse bem, está causando dano a um patrimônio que é coletivo. Além da ação emergencial, existem sanções previstas”, complementou Ana.
Em 2019, ano em que a capital completou 300 anos, o prédio apresentou o primeiro grande desabamento, situação já acompanhada pelo órgão. Segundo Ana, foi instaurado um inquérito civil no Ministério Público Estadual (MPE) para investigar responsabilidades. O processo segue em apuração, tanto na esfera administrativa quanto judicial.
Fonte: primeirapagina






