Programa Pró-Catadores eleva faturamento de cooperativas em 35% em Mato Grosso
Iniciativa do Sebrae promove inclusão socioprodutiva e regularização documental, beneficiando centenas de catadores com kits de EPIs e capacitação em gestão
Voltado para profissionais que atuam na reciclagem de resíduos sólidos, o projeto Pró-Catadores encerrou o ciclo de 2025 com resultados expressivos em Mato Grosso. O destaque foi o aumento médio de 35% no faturamento das sete cooperativas atendidas, índice que superou em muito a meta inicial de 8%. A iniciativa do Serviço de Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) tem foco na inclusão socioprodutiva de catadores cooperados e autônomos e estabelece pontes com o poder público e empresas privadas.
Em Mato Grosso, ao longo do último ano, o programa alcançou 10 prefeituras e 309 profissionais independentes em localizações estratégicas que abrangem os biomas Pantanal, Cerrado e Amazônia. A metodologia do programa baseia-se em 10 eixos fundamentais, que variam desde a regularização de documentos legais, implantação de controles financeiros e melhorias no clima organizacional.
Para a analista técnica e gestora do programa no Sebrae/MT, Danielle de Jesus, o impacto vai além dos números financeiros e reflete diretamente na qualidade de vida e no reconhecimento social do catador. Segundo ela, a regularização documental das cooperativas e o reconhecimento do catador como agente de transformação são os caminhos para o crescimento sustentável. “Nosso foco é capacitar essas cooperativas do ponto de vista organizacional para que as prefeituras possam contratá-las formalmente na gestão de resíduos sólidos. Isso gera reconhecimento, dignidade e aumento real de faturamento, o que significa dinheiro no bolso do catador e uma vida melhor para quem atua na linha de frente da preservação ambiental no nosso estado”, pontuou.
Entre fevereiro e março de 2026, o projeto entra em uma fase prática decisiva com a entrega de 129 kits de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) em cidades como Jaciara, Rondonópolis, Cáceres, Poconé, Cuiabá e Tangará da Serra. O objetivo é garantir que, além de uma gestão eficiente e documentação regularizada para contratos públicos, as cooperativas ofereçam segurança e visibilidade aos seus agentes de transformação ambiental.
Na linha de frente desse trabalho está a catadora e cooperada Luciene da Silva dos Santos, que soma quase um ano de experiência na atividade. Para ela, a chegada dos novos uniformes e equipamentos de segurança representa mais do que proteção, mas a preservação de seus próprios pertences e saúde. “Esse material é de muita utilidade, porque a gente lida com muita sujeira e acaba estragando as nossas roupas pessoais. Ontem mesmo saímos do trabalho cobertos de poeira e ter o avental e a roupa de manga comprida economiza muito o que é nosso e nos dá melhores condições de trabalho”, afirmou Luciene.
O fortalecimento da categoria também é celebrado pela gestão pública, como aponta o secretário de Turismo, Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico de Jaciara, Stallone Vieira de Moura. Ele enfatiza que o município já consegue reciclar uma média de 90 toneladas de materiais por mês – volume expressivo que deixa de sobrecarregar os aterros sanitários. “Conseguimos estruturar uma coleta seletiva que gera renda e valor agregado, transformando o que muitos chamam de lixo em oportunidade. Com a parceria com o Sebrae e o incentivo da prefeitura, estamos modernizando nossa central de triagem para que a população e o comércio apoiem cada vez mais essa causa ambiental e social”.
Fonte: Sebrae












