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Pioneiro da vitivinicultura em MS propõe criação de rota do vinho na região

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Gilmar França levou dez anos pesquisando vitivinicultura pelo mundo antes de decidir implantar a primeira vinícola de Mato Grosso do Sul. O Terroir Pantanal, localizado entre os distritos de Camisão e Piraputanga, em Aquidauana, reina sozinho ao pé do morro do Paxixi, mas, se depender do empresário, logo logo, ele quer companhia.

“Isso é uma situação inevitável porque, hoje, já tem muita gente procurando isso, é uma tendência natural. Napa Valley, na Califórnia, começou desse jeito, a região de Bento Gonçalves (RS) começou com uma pessoa, Mendonza, na Argentina, também”, afirma França.

O empresário é o entrevistado do podcast Agro de Primeira MS desta semana. Ele conta os desafios de trazer uma cultura inédita para o estado, um empreendimento tão sigiloso que nem os filhos dele sabiam do projeto da vitivinicultura.

“Eu não queria ser contaminado pela opinião de ninguém. Ainda mais sendo uma ideia que parecia loucura, a de produzir vinho em Mato Grosso do Sul. Queria tirar as minhas próprias conclusões sobre vitivinicultura na região de Aquidauana”, lembrou.

A região de Aquidauana, porta de entrada do Pantanal sul-mato-grossense, foi escolhida pelas belezas naturais. A Estrada Parque, sinuosa e cercada por morros, é um convite para a vista. Mas precisa de infraestrutura para atrair mais empreendimentos.

“Tivemos uma reunião no início do ano e alguém sugeriu fazer um teleférico no morro do Paxixi. Eu falei, gente, vamos começar pelo básico. Primeiro precisamos fazer um banheiro lá. Vamos colocar água, vamos arrumar um estacionamento. Se você não tiver uma infraestrutura básica lá, isso vai deixar de ter sentido”, pondera.

Ele também cita a aparência de abandono da Estrada Parque.

“Você entra lá e nem percebe que é uma estrada parque. O mato acaba invadindo, precisa de totens de apoio, sinalização, coisas que não precisam de grandes investimentos. Essa atenção e esse cuidado vai atrair não só a atenção do turista que vai vir e vai querer voltar, como também a atenção de um investidor, hotéis, restaurantes, até outras vinícolas que vão perceber que o estado tem uma preocupação no cuidado e no desenvolvimento da região.

O Terroir Pantanal foi fundado em outubro de 2020 e tem certificação oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O termo francês significa as características únicas de um lugar, incluindo solo, clima e topografia. Alguns dos produtos, por exemplo, chegam a ter tons de menta, goiaba branca e até limão rosa, uma fruta da região.

Os rótulos também trazem ilustrações e nomes que remetem ao Pantanal, como Toca da Onça, Comitiva Pantaneira, Flor de Camalotes, Encontro das Águas e Travessia, lançamento deste trimestre, que lembra o movimento dos pantaneiros com o gado nas cheias.

Hoje, são 30.000 garrafas produzidas por ano no Terroir. Uma quantidade pequena, mas que, segundo o empresário está dentro do que foi planejado para o empreendimento funcionar como uma butique, com vinhos finos.

“Nossa capacidade de produção é muito maior. Já foi feita assim porque pensamos em ajudar essas novas vinícolas que vão acabar chegando no estado com a produção, principalmente no início, quando o investimento muito significativo”, explica.

Vitivinicultura

As variedades de uva que mais se adaptaram à região foram:

Tintas

  • syrah
  • cabernet sauvigon
  • marselan
  • malbec

Brancas

  • chenin blanc
  • sauvigon blanc
  • chardonnay

“Esse portifólio nos possibilita produzir muitas opções de vinhos: branco, rosé, tinto, blends, sete variedades é uma quantidade bem razoável. Algumas dessas uvas, com o passar do tempo, tendem a se destacar ainda mais. Aí, ao invés de trazermos novas variedades, nós possamos ampliar as áreas de plantio dessas uvas que estão mais adaptadas”, disse o pioneiro da vitivinicultura em MS.

Dos 40 hectares da propriedade, apenas oito estão ocupados com os sete tipos de uvas. Apesar disso, não há plano de produção dos vinhos em larga escala ou, num futuro próximo, ampliação do plantio.

O objetivo é amadurecer os atuais vinhedos. Plantas que foram importadas da Itália e trazidas de navio dentro de contêineres.

Foi da Europa, também, que veio a confirmação de que vitivinicultura no calor de Mato Grosso do Sul daria certo.

“Há uvas que se desenvolvem bem no verão, esse não era o problema. Só que a uva de qualidade precisa de uma amplitude térmica com ausência de água. E aqui chove muito no verão. Esse era o grande desafio que eu tinha pra fazer isso funcionar”, lembra.

Na fase final do projeto da vitivinicultura, em viagem a França, na região de Bordoux, ele ficou sabendo, pelos produtores de lá, que havia um pesquisador brasileiro que tinha feito um pós-doutorado numa instituição francesa e que tinha desenvolvido uma técnica que invertia o ciclo de produção da videira e criou-se o que se chamava de vinhos de inverno ou de dupla poda.

“Quando eu fiquei sabendo disso, eu pensei: agora vai! Achei o que faltava para realmente colocar o projeto da vitivinicultura para andar”, afirma. “No mesmo dia entrei em contato com ele, iniciamos um trabalho, ele me indicou uma pessoa qualificada para ajudar e deu tudo certo”.

O Agro de Primeira MS tem episódio novo todahttps://primeirapagina.com.br/agro/homeopatia-veterinaria-no-agro-de-primeira-ms/ quarta-feira, com assuntos diversos do agronegócio. O da semana passada foi sobre homeopatia veterinária.

Você pode acompanhar a entrevista de Gilmar França sobre vitivinicultura no canal do podcast no Youtube. E também, com opção de ouvir como áudio, no Spotify.

Fonte: primeirapagina

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