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UFPA concede diploma simbólico a estudante vítima da ditadura: reconhecimento póstumo

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A Universidade Federal do Pará (UFPA) decidiu conceder um diploma simbólico de graduação ao estudante Cezar Morais Leite, morto pela ditadura cívico-militar brasileira em 1980, nas dependências do campus de Belém.

A medida foi aprovada nesta semana pelo Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão da universidade e prevê a realização de uma cerimônia solene para entrega do diploma à família do estudante.

Nascido em Belém em 1961, Cezar Morais Leite cursava Bacharelado em Matemática e estava no terceiro semestre quando foi assassinado, aos 19 anos, em 10 de março de 1980.

O crime ocorreu durante uma aula da disciplina Estudos dos Problemas Brasileiros. Segundo registros institucionais, um agente da repressão estatal infiltrado na universidade efetuou os disparos, em um contexto marcado por perseguição política e violência de Estado.

A iniciativa da UFPA segue ações semelhantes adotadas por outras instituições de ensino superior do país, que também concederam diplomas simbólicos ou homenagens a estudantes mortos ou desaparecidos durante o período da ditadura.

Reconhecimento institucional

Para o relator do processo, professor Edmar Tavares, a decisão representa uma reparação histórica e institucional. Segundo ele, o ato reafirma o reconhecimento da violência cometida contra um estudante da universidade e reforça o compromisso da UFPA com a memória, a democracia e os direitos humanos.

O parecer destaca que a concessão do diploma está inserida no conceito de justiça de transição, conjunto de medidas adotadas por sociedades democráticas para enfrentar os legados de regimes autoritários.

O documento também se baseia em orientações da Comissão Nacional da Verdade, que recomenda a adoção de gestos simbólicos de reparação por parte de órgãos públicos.

A diplomação tem caráter exclusivamente honorífico e não equivale à outorga de grau acadêmico tradicional.

Papel da universidade

O reitor da UFPA, Gilmar Pereira, informou que a cerimônia ocorrerá no campus, com a presença de familiares de Cezar Morais Leite, membros da comunidade acadêmica e dirigentes da instituição.

Segundo ele, a universidade tem papel essencial na preservação da memória histórica e na defesa da justiça, ressaltando que a ditadura causou sofrimento prolongado às vítimas e seus familiares.

Ao oficializar a homenagem, a UFPA inscreve o nome de Cezar Morais Leite na memória institucional, não como número da violência política, mas como estudante cuja trajetória foi interrompida pelo autoritarismo do Estado.

Fonte: cenariomt

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