Quando um edifício de escritórios de Londres decidiu iniciar obras de ampliação, os responsáveis precisaram fazer uma escolha que costuma ser muito fácil, e quase invariavelmente vai para o lado da contenção de despesas: otimizar o espaço disponível ou adotar um projeto mais custoso para respeitar a fachada de uma edificação histórica situada no terreno ao lado?
Contrariando o habitual em situações desse tipo, os donos do prédio optaram por destacar a estrutura vizinha, uma igreja da Era Vitoriana. O resultado tornou-se um exemplo de “arquitetura gentil” na capital inglesa.
Hoje, quem passa pela Union Street tem uma vista ainda desobstruída para a rosácea, nome do vitral circular que se destaca na frente da igreja, porque o novo prédio – inaugurado em 2024 – foi projetado com um “recorte” que permite enxergá-la (até melhor do que antes!).
A reforma do prédio vizinho
O templo em questão é uma igreja católica da paróquia de Most Precious Blood, um legado do final do século 19 na região de Southwark. Tanto o templo inaugurado em 1892 quanto o prédio de escritórios construídos muito mais tarde ficam na O’Meara Street, mas, como essa passagem é bastante estreita, a melhor maneira de visualizá-los é indo até a esquina da Union Street.
Na verdade, também é a única forma de ver os vitrais da igreja pelo lado de fora, o que deu um motivo a mais para os projetistas da Lipton Plant Architects tomarem cuidado na elaboração do novo prédio: a vista do lado oposto do templo é totalmente bloqueada por uma ferrovia elevada, e um desenho sem cuidado esconderia a fachada de forma definitiva.
Registros do Google Street View mostram a evolução da área: até 2019, o prédio original ao lado da igreja, de tijolos, tinha a parte superior recuada, o que garantia uma vista mais desobstruída para a rosácea.
Ironicamente, gradis posicionados no topo do piso térreo geravam uma poluição visual que foi até reduzida no novo projeto – os arquitetos conseguiram trazer toda a parte superior da edificação para o limite da calçada, aumentando a área útil interna, ao mesmo tempo em que deixaram a fachada da igreja ainda mais perceptível do que antes.
Preservação do patrimônio
Mais do que o cuidado com os vizinhos, o novo projeto também foi um esforço de respeito ao patrimônio histórico: desde 2014, a igreja de Most Precious Blood é tombada, integrando o chamado “Grade II”, classificação dada a imóveis com interesse histórico ou arquitetônico singular. A igreja também havia acabado de ser restaurada, em 2019, quando os vizinhos iniciaram sua própria obra.
Fonte: viagemeturismo






