A Prefeitura de Cuiabá deve apresentar um lance de R$ 30 milhões para a compra da Santa Casa de Misericórdia, tradicional unidade hospitalar da capital. O anúncio foi feito pelo prefeito Abilio Brunini, que destacou que a proposta só foi possível após um ano de ajuste fiscal e economia nos cofres municipais.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Abílio afirma que o controle de gastos realizado ao longo de 2025 permitiu que o município chegasse a 2026 com fôlego financeiro para investir em uma área considerada prioritária.
“Conseguimos economizar, seguramos bastante as pontas em 2025 e agora vamos com esse fôlego para fazer um investimento muito importante, que era o nosso desejo, que é a compra da Santa Casa”, afirmou.
Além do recurso economizado, segundo ele, o restante será levantado por meio de uma parceria construída com os deputados estaduais, após conversa com o presidente, Max Russi, e com a líder do Legislativo cuiabano, Paula Calil e os demais vereadores. Os dois parlamentos asseguraram emendas para aquisição da Santa Casa.
Dívida trabalhista supera R$ 47 milhões
Uma proposta de R$ 20 milhões para a compra do imóvel que abriga o complexo da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá passou a ser analisada pela Justiça do Trabalho. A oferta foi apresentada pelo Instituto São Lucas, mantenedor do Hospital Hilda Strenger Ribeiro.
O valor de R$ 20 milhões representa cerca de 25% da avaliação judicial do imóvel, homologada em 2025. O percentual chamou a atenção diante do tamanho do passivo trabalhista da Santa Casa, que soma mais de R$ 47 milhões, incluindo créditos trabalhistas, FGTS, honorários advocatícios, verbas acessórias e execuções fiscais.
Além disso, existem débitos relacionados a empregados da antiga Santa Casa que permanecem em atividade desde 2019, responsáveis pela manutenção dos serviços essenciais. Também há despesas pendentes referentes aos exercícios de 2023, 2024 e 2025, que deverão ser consideradas no processo de pagamento aos credores.
Entre os fatores destacados para a análise da proposta está a requisição administrativa do imóvel pelo governo de Mato Grosso, que utiliza o prédio para a prestação de serviços de saúde. Embora a desocupação estivesse prevista inicialmente para o fim de 2025, o Estado informou que deverá permanecer no local ao menos até abril de 2026, com possibilidade de prorrogação.
Enquanto durar a requisição, o eventual comprador não poderá tomar posse do imóvel, o que gera insegurança jurídica e impacta diretamente o valor e as condições da negociação. A Justiça também alertou para o risco de deterioração do prédio após a futura desocupação, já que se trata de uma edificação antiga que exige manutenção especializada.
Outro ponto relevante é que a fachada principal da Santa Casa é tombada como patrimônio histórico estadual, o que impõe restrições legais para reformas e alterações estruturais, limitando possíveis usos do imóvel pelo futuro proprietário.
Valor estimado
Em julho do ano passado, a Justiça do Trabalho determinou a alienação judicial, por iniciativa particular, do prédio da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá. A decisão, proferida pelo juiz Angelo Henrique Peres Cestari, que fixou o valor mínimo de venda em R$ 54.768.302,50, correspondente a 70% da avaliação técnica realizada, que estimou o bem em R$ 78.240.432,14.
Em outubro, o valor estimado foi reduzido pela metade e mesmo assim, o complexo não recebeu nenhum lance.
Fonte: primeirapagina






