Economia

BC inicia investigação sobre fiscalização e liquidação do Banco Master: Saiba mais

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O Banco Central abriu uma investigação interna para apurar possíveis falhas na fiscalização e no processo que levou à liquidação do Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro. A apuração foi determinada pelo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, e corre sob sigilo na corregedoria do órgão desde o fim do ano passado.

Segundo apurações publicadas nesta quinta (29) pelos jornais O Globo e Estadão, a iniciativa ocorre após a repercussão do escândalo envolvendo o banco e busca esclarecer se houve erros técnicos ou institucionais na atuação do Banco Central antes da intervenção. De acordo com fontes internas, o objetivo não é apontar culpados de forma automática, mas entender o que falhou para corrigir procedimentos e evitar novos casos semelhantes.

A Gazeta do Povo procurou o Banco Central para se pronunciar sobre a apuração e aguarda retorno.

A saída de dois nomes importantes da área de fiscalização é apontada com importante para a apuração: Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, que comandavam o Departamento de Supervisão Bancária. Até o momento, não há acusações formais contra os ex-dirigentes, e o BC informou que “a alternância de nomes em cargos comissionados é uma prática normal no âmbito da administração pública”.

Paulo Sérgio Neves de Souza, servidor de carreira, foi o primeiro a sair e tinha histórico relevante na supervisão do sistema financeiro. Ele foi o responsável por autorizar a compra do antigo Banco Máxima por Daniel Vorcaro, operação que resultou na criação do Banco Master, além de acompanhar a estabilidade do mercado financeiro nos últimos anos.

Na sequência, deixou o cargo Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária e cotado para assumir a diretoria de Fiscalização. Belline assinou diversos ofícios e despachos encaminhados pelo Banco Central ao Ministério Público Federal relacionados às operações do Banco Master.

Um desses documentos foi usado pela defesa de Vorcaro na Justiça para sustentar que não havia irregularidades evidentes nas operações do banco. Em um dos trechos, Belline afirma que uma “operação suspeita de compra de carteiras fictícias de crédito” no fim de 2024 foi desfeita no início de 2025, e que o BC não identificou indícios de irregularidades em transações de crédito consignado originadas pelo próprio Master.

O Banco Master cresceu rapidamente ao captar recursos por meio de CDBs com rendimentos muito acima da média do mercado. Enquanto concorrentes ofereciam até 98% do CDI, o banco chegou a prometer retornos de até 140% do índice, prática considerada agressiva e de alto risco. Isso levou a um crescimento exponencial do Master como um todo, passando de R$ 3,7 bilhões em ativos no final de 2019 para R$ 82 bilhões em 2024.

Com o desgaste desse modelo e dificuldades para honrar compromissos, o banco passou a ser monitorado mais de perto pelo Banco Central em 2024. Durante a crise, Daniel Vorcaro negociou a venda da instituição para o BRB, que vinha prestando apoio por meio da compra de carteiras de crédito.

A crise ganhou dimensão nacional em 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, afastou seus administradores e bloqueou bens para pagamento de credores. No mesmo dia, a Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar suspeitas de fraudes em uma negociação de carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões envolvendo o BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal.

Tanto o Banco Master quanto o BRB negam qualquer irregularidade nas operações investigadas. As instituições afirmam que as carteiras de crédito questionadas foram substituídas e que colaboram com as autoridades para esclarecer os fatos.

Fonte: gazetadopovo

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