Saúde

Vídeo impressionante: Explosões gigantescas na atmosfera do Sol registradas em time-lapse

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026 word2



  • Em setembro de 2025, uma sequência rara de explosões na atmosfera do Sol foi registrada por uma missão recém-operacional da Agência Espacial Europeia (ESA). As imagens, divulgadas pela agência na última semana, condensam cinco horas de observação em um time-lapse de apenas quatro segundos e mostram três grandes plumas de plasma sendo arremessadas para o espaço. 

    À primeira vista, o vídeo lembra as conhecidas erupções solares, aquelas explosões intensas que podem desencadear tempestades solares e afetar a Terra. Mas há um detalhe que muda tudo: não aparecem os flashes brilhantes típicos dessas explosões.

    O fenômeno capturado é outro, mais discreto e mais difícil de observar. São as proeminências solares, estruturas gigantescas em forma de laços, feitas de plasma, um gás muito quente e eletricamente carregado que compõe boa parte do Sol. Elas se elevam acima da superfície, ultrapassam a borda visível do disco solar e podem se romper, lançando parte desse plasma para o espaço em diferentes direções. 

    Siga

    *]:pointer-events-auto scroll-mt-[calc(var(–header-height)+min(200px,max(70px,20svh)))]” dir=”auto” tabindex=”-1″ data-turn-id=”request-WEB:f633bae4-1349-4eb6-9018-b2ad4ff3e63e-31″ data-testid=”conversation-turn-34″ data-scroll-anchor=”true” data-turn=”assistant”>

    Para Andrei Zhukov, pesquisador do Observatório Real da Bélgica e investigador principal do instrumento responsável pelas imagens, “ver tantas erupções de proeminências em um período tão curto é raro”. “Estou muito feliz por termos conseguido capturá-las com tanta clareza durante nosso período de observação”, afirmou em comunicado. Confira:

    Gif da coroa solar interna, a parte mais quente da atmosfera da nossa estrela, aparece em um tom amarelo pálido nesta sequência de imagens capturadas pelo coronógrafo ASPIICS a bordo do satélite Proba-3.
    (ESA/Proba-3/ASPIICS, NASA/SDO/AIA/Divulgação)

    Proeminências são menos potentes do que as erupções solares “clássicas”, mas têm grande valor para os pesquisadores porque ajudam a estudar a coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol. 

    *]:pointer-events-auto scroll-mt-[calc(var(–header-height)+min(200px,max(70px,20svh)))]” dir=”auto” tabindex=”-1″ data-turn-id=”request-WEB:f633bae4-1349-4eb6-9018-b2ad4ff3e63e-33″ data-testid=”conversation-turn-38″ data-scroll-anchor=”true” data-turn=”assistant”>

    É nela que está um dos maiores enigmas da física solar: a coroa chega a milhões de graus Celsius, muito mais quente do que a superfície, mesmo estando mais distante do interior da estrela. Esse paradoxo é chamado de “problema do aquecimento coronal”.

    O vídeo ajuda a investigá-lo porque as proeminências podem parecer superquentes quando brilham, mas seu plasma tem cerca de 10 mil graus Celsius, bem abaixo da temperatura ao redor.

    É quente em termos humanos, mas “frio” em comparação com a coroa, que chega a milhões. Como explicou Zhukov, o brilho pode enganar: “a luz intensa emitida pelas erupções das proeminências sugere que elas são significativamente mais quentes do que a coroa solar circundante. Mas, na realidade, seu plasma é muito mais frio”.

    Capturar esse tipo de detalhe só foi possível graças a uma estratégia tecnológica que permite criar eclipses solares artificiais no espaço. A missão Proba-3, lançada em dezembro de 2024, é formada por duas espaçonaves gêmeas. Uma delas atua como “ocultadora”, bloqueando o disco brilhante do Sol – como a Lua faz durante um eclipse total visto da Terra.

    A outra carrega o coronógrafo, o sistema óptico que observa a coroa. Mantidas a cerca de 150 metros de distância e alinhadas com precisão, elas reduzem a luz difusa que normalmente “vaza” ao redor do Sol e atrapalha a visão da atmosfera externa. O resultado é um eclipse repetível, mais frequente e mais duradouro do que os eclipses naturais.

    O instrumento principal desse registro é o ASPIICS, instalado no coronógrafo do Proba-3. Ele usa filtros para “separar” a luz emitida por diferentes elementos químicos presentes na coroa, algo parecido com escolher um canal específico de cor para enxergar estruturas que, de outra forma, ficariam invisíveis. 

    As erupções vistas no vídeo foram capturadas com um filtro associado ao hélio, elemento que aparece em diferentes “assinaturas” de luz dependendo da energia do ambiente. Já o brilho amarelado suave ao redor do Sol, segundo a ESA, é causado pela dispersão da luz visível da superfície solar nos elétrons da coroa.

    Para tornar o registro ainda mais completo, a ESA combinou os dados do ASPIICS com imagens do Observatório de Dinâmica Solar da NASA, que fotografou simultaneamente o disco solar. 

    Assim, o vídeo mostra não apenas a coroa em amarelo, mas também a superfície do Sol sobreposta, permitindo observar a interação entre as camadas com mais detalhe. 

    A missão Proba-3 começou a operar há cerca de sete meses e já realizou pelo menos 50 eclipses artificiais, com expectativa de produzir centenas de observações nos próximos anos. Ela chega em um momento em que a comunidade científica vive uma espécie de “corrida” para observar o Sol com novas ferramentas, aproveitando uma fase de atividade elevada da estrela, o chamado máximo solar. 

    No curto prazo, vídeos como o do Proba-3 não mudam a vida cotidiana na Terra, mas ampliam o entendimento sobre a região onde nascem muitos dos eventos que podem, sim, ter impacto aqui. A coroa é o berço do vento solar e de estruturas magnéticas que, quando se reorganizam de forma explosiva, podem gerar tempestades capazes de interferir em satélites, comunicações e redes elétricas.

    Ao observar proeminências em erupção com tanta nitidez e frequência, os cientistas ganham uma peça importante para conectar o que acontece na superfície do Sol ao comportamento da coroa, e, com isso, avançar na explicação de por que a atmosfera externa da estrela é tão mais quente do que ela deveria ser.

    Fonte: abril

    Sobre o autor

    Avatar de Redação

    Redação

    Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.