À primeira vista, esta casa de 130 m² em Uberlândia (MG) se destaca pela arquitetura limpa, pelos materiais naturais e pela atmosfera minimalista. Mas é um detalhe que transforma a experiência do morar: um jardim com apenas 60 cm de largura. Implantado de forma estratégica, esse canteiro estreito cria um cenário natural exuberante, melhora o conforto ambiental e redefine a relação entre interior e exterior. Assinada pela MIDA Arquitetura, a Casa Jasmim une moradia e trabalho em um mesmo fluxo, pensada para um casal criativo e seus dois bulldogs, em busca de mais luz natural após anos vivendo em um apartamento.
Conheça a especialista
Andressa Oliveira é arquiteta e urbanista especialista no cultivo de plantas em casa e com experiência em projetos arquitetônicos e de interiores.
Um jardim mínimo em largura, máximo em presença
Com apenas 60 cm de largura, o jardim da Casa Jasmim se torna um dos principais elementos do projeto. Em vez de funcionar como um simples canteiro decorativo, ele foi pensado como uma faixa verde contínua, densa e integrada à arquitetura. A vegetação cria sombra, filtra a luz natural, refresca o ar, atrai pássaros e acompanha visualmente os ambientes internos, ampliando a sensação de bem-estar no dia a dia. Desenvolvido como parte essencial da moradia e do espaço de trabalho do arquiteto Michell Damascena, o jardim assume papel ativo na experiência de habitar a casa.
Um pátio central que organiza a casa e a vida
O pátio central reúne a área social da casa e funciona como o verdadeiro eixo do projeto, conectando os dois setores da residência: a ala frontal, onde estão a garagem e o escritório, e o setor íntimo, localizado ao fundo. Além do jardim estreito e denso, o espaço conta com uma pequena piscina elevada e cadeiras que convidam à pausa, transformando a varanda em um ambiente de convivência cotidiana. Esse pátio responde ao principal desafio do projeto. “Estabelecer uma área de convivência generosa em contato com a área externa e o jardim, implantada em um terreno com medidas mais restritivas”, explica Michell.
Fachada discreta que protege e revela
A fachada de linhas simples e materiais crus cria um limite entre o espaço público e o universo íntimo da casa, reforçando a sensação de refúgio. O volume prioriza a solidez e a proteção, ao se fechar para fora, a casa se abre completamente para dentro, direcionando luz, ventilação e paisagem para os espaços internos.
Materiais naturais como base do projeto
Na Casa Jasmim, os materiais não aparecem como acabamento, mas como parte essencial dos espaços. O piso em concreto lapidado percorre os ambientes internos e externos, criando continuidade visual e contribuindo para o conforto térmico da casa. As paredes em reboco rústico com pintura acetinada e, em alguns pontos, acabamento em terra, reforçam a sensação de acolhimento. Já o forro em compensado naval, deixado em seu estado natural, adiciona textura e calor ao conjunto, servindo como ponto de partida para todas as escolhas do projeto.
Sala integrada e conexão total com o exterior
A sala funciona como o grande espaço de convivência da casa e está diretamente conectada ao pátio e ao jardim. Com layout aberto e proporções generosas, o ambiente se integra à cozinha e à área externa, dissolvendo limites entre dentro e fora. Aberturas estratégicas permitem que a luz natural e o verde façam parte do cotidiano. A simplicidade do mobiliário e o visual contínuo dos materiais garantem fluidez, tornando a sala um espaço vivo e conectado à natureza.
Cozinha aberta para a natureza
A cozinha de conceito aberto mantém relação direta com o pátio e se integra à sala. A mesa de jantar se une à bancada em ilha, reforçando a fluidez entre cozinhar, receber e relaxar. A lavanderia foi discretamente posicionada na lateral, preservando a leveza visual e garantindo que os espaços sociais se mantenham abertos, contínuos e bem conectados ao exterior.
O jardim com jasmim que dá nome à casa
O jardim frontal funciona como um espaço de transição entre a rua e o interior da casa, estabelecendo uma relação imediata entre arquitetura e natureza. A presença do jasmim-manga confere identidade ao projeto e ajuda a explicar o nome da residência.
Escritório integrado ao verde e à rotina criativa
Implantado na ala frontal da casa, o escritório foi pensado como um espaço de trabalho que dialoga diretamente com o cotidiano e com a paisagem. As mesas posicionadas em frente às aberturas garantem vista constante para a vegetação, permitindo que luz natural e verde façam parte da rotina profissional.
Quarto: um refúgio minimalista
No quarto, a proposta minimalista ganha profundidade a partir da relação direta com a vegetação. Grandes aberturas de vidro enquadram o canteiro estreito ao longo da parede externa, permitindo que a luz natural e o verde façam parte do cotidiano. Mesmo com dimensões reduzidas, o jardim cria uma sensação de refúgio, suavizando as superfícies de concreto e equilibrando a simplicidade do espaço. A decoração contida reforça essa atmosfera de recolhimento, deixando que a paisagem vegetal seja o principal elemento de aconchego e conexão com a natureza.
A Casa Jasmim mostra que não é a metragem que define a qualidade de um morar, mas a forma como o espaço é pensado, ocupado e vivido. Ao transformar um jardim de apenas 60 cm em protagonista, integrar trabalho e moradia e valorizar materiais simples, o projeto revela uma arquitetura funcional e conectada ao cotidiano. Uma casa que impressiona pela inteligência das escolhas e valoriza o natural, assim como na Casa da Pedra, do Estúdio Minke.
Fonte: tuacasa






