Notícias

CRM-MT critica faculdades de Medicina após Enamed e alerta sobre risco de vida dos pacientes

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026 word2

Após a divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, feita pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Ministério da Saúde (MS) na segunda-feira (19), o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) afirmou que os dados confirmam a baixa qualidade do ensino oferecido em cursos de Medicina no estado.

Duas instituições de Mato Grosso receberam conceitos considerados inadequados pelo MEC. A Universidade de Cuiabá (Unic) obteve conceito 2, enquanto o Centro Universitário Estácio do Pantanal (Unipantanal), em Cáceres, recebeu conceito 1, o mais baixo da avaliação. Dos 26 estudantes que realizaram a prova nessas instituições, apenas quatro atingiram a nota mínima exigida pelo MEC.

Para o presidente do CRM-MT, Diogo Sampaio, o resultado apenas reforça uma situação que, segundo ele, já vem sendo denunciada há anos. “Temos um dado objetivo que comprova esta situação, apresentado pelo próprio governo, que nada faz de efetivo para garantir que os novos médicos formados tenham um conhecimento mínimo para atender a população. Muita gente está correndo risco de vida, e isso está claro”, afirmou.

Sampaio também criticou os critérios adotados pelo MEC, que considera o conceito 3 como minimamente aceitável. Segundo ele, mesmo com esse parâmetro, um em cada três estudantes de Medicina no país é formado por instituições reprovadas pela pasta. “É um índice baixíssimo se comparado com avaliações realizadas em outros países. O ideal é que apenas cursos com nota 4, que indicam que pelo menos 75% dos alunos tiveram bom desempenho, sejam considerados satisfatórios”, disse.

O Centro Universitário de Várzea Grande (Univag) e a Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), em Cáceres, obtiveram conceito 3. Somente as unidades da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá e Sinop, e a Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) alcançaram conceito 4, considerado satisfatório pelo MEC.

A avaliação em outros países

Ao comparar o modelo brasileiro com o de outros países, Sampaio citou o exemplo dos Estados Unidos, onde os médicos precisam ser aprovados no United States Medical Licensing Examination (USMLE), exame dividido em três etapas que avaliam conhecimentos básicos, clínicos e práticos. Segundo ele, o índice de aprovação chega a 98% na segunda etapa, o que permite a entrada em programas de especialização. No Brasil, a aprovação ficou em apenas 67%.

No Canadá, segundo o CRM-MT, os estudantes passam pelo Medical Council of Canada Qualifying Examination (MCCQE), seguido pela National Assessment Collaboration (NAC), que garante a elegibilidade para a residência médica. Apenas depois dessas etapas os futuros médicos podem se submeter às avaliações das províncias.

Diante do cenário, o presidente do CRM-MT defende a aprovação imediata do Projeto de Lei que cria o Profimed, exame obrigatório para a concessão do registro profissional aos novos médicos. A proposta está em tramitação no Senado. Sampaio alertou que, na forma atual do texto, apenas quem ingressar no curso após a vigência da lei fará a prova. Segundo ele, por seis anos, ainda terão pessoas sem formação adequada recebendo registro e atuando normalmente.

Críticas às punições

Enquanto o projeto não é aprovado, o Conselho Federal de Medicina (CFM) iniciou discussões para a elaboração de uma resolução que obrigue estudantes que não atingiram a nota mínima no Enamed a passarem por nova avaliação antes de obter o registro profissional.

O presidente do CRM-MT também criticou as sanções anunciadas pelo MEC contra cursos com baixo desempenho. Dos 99 cursos que sofrerão algum tipo de punição, apenas oito terão o ingresso de novos alunos suspenso. Outros 13 terão redução de 50% nas vagas e 33 perderão 25% da oferta. Em 45 instituições, a penalidade será apenas a proibição de ampliar vagas. Para ele, em qualquer lugar do mundo essa unidades seriam fechadas.

Ao todo, 351 cursos de medicina participaram do Enamed 2025. Desses, 304 pertencem ao Sistema Federal de Ensino — que reúne instituições públicas federais e privadas — e os demais são regulados por sistemas estaduais.

Fonte: primeirapagina

Sobre o autor

Avatar de Redação

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.