Economia

Mercosul e União Europeia fecham acordo comercial histórico: saiba os detalhes

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Após 26 anos de negociações, representantes do Mercosul e da União Europeia assinam neste sábado (17) um acordo de livre comércio que pode integrar um mercado estimado em cerca de 720 milhões de pessoas. O pacto envolve aproximadamente 450 milhões de consumidores europeus e cerca de 295 milhões nos países sul-americanos.

O tratado foi aprovado por ampla maioria dos 27 países da União Europeia e a assinatura ocorre em Assunção, no Paraguai, que exerce a presidência temporária do Mercosul desde dezembro de 2025.

A cerimônia está marcada para as 12h15, no teatro José Asunción Flores, sede do Banco Central paraguaio, local simbólico onde foi assinado, em 1991, o Tratado de Assunção, que deu origem ao Mercosul, atualmente formado por Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Participam do evento chefes de Estado e representantes dos países membros, além de autoridades da cúpula europeia. O Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não comparecerá por compromissos de agenda.

Na véspera da assinatura, Lula se reuniu no Rio de Janeiro com líderes europeus para discutir a implementação do acordo e outros temas da agenda internacional.

De caráter protocolar, a assinatura encerra a fase técnica e política iniciada em 1999. O texto prevê a eliminação gradual de tarifas de importação para mais de 90% do comércio bilateral, abrangendo produtos industriais, como máquinas, veículos e equipamentos, além de itens agrícolas.

O acordo ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais dos países do Mercosul. A entrada em vigor dependerá dessas aprovações, com implementação progressiva ao longo dos próximos anos.

Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a expectativa do governo brasileiro é que o tratado passe a valer no segundo semestre deste ano, após a internalização legislativa.

Embora seja celebrado por governos e setores industriais, o acordo enfrenta resistência de agricultores europeus, preocupados com a concorrência de produtos sul-americanos. Ambientalistas também manifestam cautela, apesar da avaliação oficial de que o texto está alinhado a compromissos ambientais e ao Acordo de Paris.

Estimativas da ApexBrasil indicam que o acordo pode elevar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões, ampliando a diversificação das vendas externas e beneficiando a indústria nacional.

Entre os principais pontos do tratado estão: a redução gradual de tarifas, ganhos imediatos para setores industriais, acesso ampliado ao mercado europeu, cotas para produtos agrícolas sensíveis, salvaguardas comerciais, compromissos ambientais obrigatórios, manutenção de regras sanitárias rigorosas, avanços no comércio de serviços, abertura de compras públicas, proteção à propriedade intelectual e medidas específicas para pequenas e médias empresas.

Com a conclusão de todos os trâmites, o acordo poderá estabelecer a maior zona de livre comércio do mundo, com impactos econômicos previstos no médio e longo prazo.

Fonte: cenariomt

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