Saúde

Descubra como o medo pode influenciar o comportamento dos cavalos

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  • No decorrer dos últimos 6 mil anos, a amizade entre humanos e cavalos foi provavelmente uma das parcerias mais frutíferas que já saiu da domesticação de qualquer bicho na natureza. Ainda assim, há quem reaja à presença desses imponentes quadrúpedes com um suor frio de pavor. Nesse caso, vale o aviso: você pode estar assustando ele também.

    De acordo com um novo estudo publicado no periódico PLOS One, nesta quarta feira (14), cavalos são capazes de discernir entre odores de terror e alegria na transpiração dos seres humanos – e ficam mais ansiosos quando expostos ao cheiro do medo.

    Pesquisadores franceses analisaram as maneiras como 43 cavalos reagiam a amostras de suor coletadas por pessoas em diferentes estados emocionais. No final, aqueles que tinham contato com o aroma dos apavorados se mostraram muito mais cautelosos perto de seres humanos ou objetos estranhos, além de tomarem sustos com mais facilidade.

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    As coletas de suor foram feitas com um total de 30 voluntários, para os quais foram exibidos clipes de diferentes filmes. A sessão começava alegre: com pedaços de algodão posicionados sob as axilas, os participantes assistiram a cenas como a famosa dança de Gene Kelly no filme Cantando na Chuva (1952) e o curta Coisas de Pássaro (2000), da Pixar. Depois, era a vez de estimular o terror. Com algodões trocados, no dia seguinte, os voluntários foram expostos a 20 minutos do filme A Entidade (2012), um terror estrelando Ethan Hawke.

    Os pesquisadores colocaram os pedaços de algodão em focinheiras, pelas quais os cavalos sentiriam o futum de suor – de medo ou alegria. Havia também um grupo controle, que não cheirava nada. Para que o animal testado não passasse por muito estresse, também trouxeram um segundo cavalo, conhecido do primeiro, que ficava só na audiência.

    O comportamento dos cavalos expostos às amostras de “suor alegre” ou do grupo controle era significativamente diferente daqueles que sentiam o cheiro dos amedrontados. Os cavalos medrosos tocavam menos nos pesquisadores e, quando apresentados a um objeto novo, tocavam e se aproximavam da coisa com mais hesitação.

    Os cientistas também experimentaram abrir um guarda-chuva enquanto os cavalos comiam – e os que cheiraram amostras de medo tomavam sustos bem maiores, na medida que o coração também acelerava ainda mais.

    A primazia dos gestos e falas na comunicação humana pode às vezes ofuscar o fato de que, em outros animais, o sentido mais comumente usado na autoexpressão é também um dos mais primitivos – isto é, o olfato. É com o nariz que muitas espécies selecionam seus parceiros sexuais ou reconhecem seus filhotes, e não faltam indícios de que os cheiros secretados pelo corpo também trazem sinais do estado emocional dos bichos.

    Disso, os humanos também não ficam de fora. A transpiração que escorre dos poros do corpo vem junto de substâncias relacionadas a diferentes estados emocionais, como a adrenalina (para o medo ou alerta) e a androstenodiona (para a atração sexual); e estudos já mostram que, sim, até os humanos sentem e respondem a esses aromas, mesmo que inconscientemente.

    Essa forma de comunicação também transcende as barreiras da espécie. Cães e gatos, assim como os cavalos, também conseguem distinguir diferentes emoções no aroma de seres humanos. Na mesma linha, outros estudos também sugerem que os equinos são capazes de ler sentimentos de medo e alegria no rosto e na voz de pessoas.

    A domesticação pode ter sido um fator importante para esse entendimento entre espécies. Para ambos os lados dessa relação, reconhecer em expressões, sons ou cheiros o estado emocional do outro era essencial para a parceria.

    Isso, porém, o novo estudo ainda deixa em aberto. Os cientistas escrevem que esse distinto senso olfativo poderia ter vindo, também, de um ancestral comum, do qual todos os mamíferos herdaram seus receptores de cheiro.

    Fonte: abril

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