Notícias

Ministério da Saúde decide não disponibilizar vacina contra herpes-zóster no SUS: Entenda a decisão

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026 word2

O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina para a prevenção do herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão consta em portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) nessa segunda-feira (12).

Segundo relatório da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), divulgado na internet, o imunizante teve sua importância clínica reconhecida, mas foi considerado caro diante do impacto orçamentário previsto para o sistema público de saúde.

A vacina recombinante adjuvada é indicada principalmente para idosos com 80 anos ou mais e para pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos. Ainda assim, a avaliação técnica apontou que, nas condições analisadas, o custo não se mostrou compatível com os benefícios estimados para o SUS.

De acordo com o documento, a estimativa era vacinar cerca de 1,5 milhão de pessoas por ano, o que representaria um gasto anual de aproximadamente R$ 1,2 bilhão. No quinto ano, a vacinação dos cerca de 471 mil pacientes restantes teria custo adicional de R$ 380 milhões. Ao fim de cinco anos, o investimento total chegaria a R$ 5,2 bilhões, valor que levou a Conitec a classificar a vacina como não custo-efetiva.

“O comitê reconheceu a relevância da vacina para a prevenção do herpes-zóster, mas destacou a necessidade de novas negociações de preço para que o impacto financeiro seja sustentável para o SUS”, afirma o relatório.

Para efeito de comparação, o Ministério da Saúde informou que todo o investimento feito no Programa Farmácia Popular no ano passado somou R$ 4,2 bilhões — montante inferior ao custo projetado apenas para a incorporação da vacina contra o herpes-zóster.

Apesar da decisão, a portaria publicada nesta semana prevê que o tema poderá ser reavaliado caso surjam novos dados ou propostas que modifiquem o resultado da análise. A pasta afirmou que tem interesse na incorporação do imunizante, mas que, até o momento, o laboratório responsável não apresentou uma nova oferta de preço.

O que é o herpes-zóster

O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece latente no organismo e pode ser reativado anos depois, especialmente em pessoas idosas ou com o sistema imunológico enfraquecido.

Os primeiros sinais costumam incluir sensação de queimação, coceira, sensibilidade na pele, febre baixa e cansaço. Em seguida, surgem manchas avermelhadas que evoluem para bolhas com líquido, geralmente localizadas em apenas um lado do corpo, acompanhando o trajeto de um nervo. As regiões mais atingidas são tronco, rosto, lombar e pescoço, e o quadro costuma durar de duas a três semanas.

Na maioria dos casos, a doença evolui de forma benigna, mas pode causar complicações importantes, como lesões na pele, problemas neurológicos, oculares e auditivos. Uma das consequências mais graves é a neuralgia pós-herpética, caracterizada por dor intensa e persistente que pode durar meses ou até anos após o desaparecimento das lesões.

Situação no Brasil e vacinação

Dados dos sistemas ambulatorial e hospitalar do SUS indicam que, entre 2008 e 2024, o país registrou 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações relacionadas ao herpes-zóster. Já entre 2007 e 2023, foram contabilizadas 1.567 mortes pela doença, com taxa de mortalidade de 0,05 óbitos por 100 mil habitantes. Cerca de 90% dos óbitos ocorreram em pessoas com 50 anos ou mais, sendo mais da metade em idosos acima de 80 anos.

Atualmente, a vacina contra o herpes-zóster não faz parte do Programa Nacional de Imunizações e está disponível apenas na rede privada. A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda a vacinação de rotina a partir dos 60 anos e avalia sua aplicação a partir dos 50. Para pessoas imunocomprometidas, a indicação pode começar aos 18 anos, conforme a condição clínica.

Na rede particular, cada dose custa, em média, entre R$ 900 e R$ 1.200. Como o esquema completo exige duas aplicações, o valor total pode chegar a R$ 2.400, variando conforme a clínica e a região.

Nos casos leves, o SUS oferece tratamento para aliviar sintomas como dor, febre e coceira. Em situações de maior risco, como em idosos ou pessoas com imunidade comprometida, é indicado o uso do antiviral aciclovir.

Fonte: primeirapagina

Sobre o autor

Avatar de Redação

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.