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Manifestações no Irã: atos pró-regime e críticas a protestos violentos se encontram

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Milhares de pessoas participaram, no domingo (11) e na segunda-feira (12), de manifestações em apoio ao regime da República Islâmica do Irã. Os atos ocorreram em diversas cidades e tiveram como objetivo criticar os distúrbios registrados nos últimos dias, associados a protestos antigovernamentais que resultaram em centenas de mortes, segundo levantamentos não oficiais.

Desde dezembro do ano passado, o país enfrenta uma onda de manifestações inicialmente motivadas pelo aumento do custo de vida. O cenário se agravou após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sugeriu uma possível intervenção militar com o argumento de apoiar manifestantes reprimidos pelo Estado.

Em resposta, o governo iraniano passou a divulgar imagens de protestos violentos, com pessoas armadas e atos de vandalismo, afirmando que parte das ações teria sido incentivada por interesses estrangeiros. As autoridades sustentam que esses episódios extrapolam o direito à manifestação pacífica.

Para o jornalista e cientista político Bruno Lima Rocha, os protestos econômicos acabaram sendo deslocados para o campo geopolítico. Segundo ele, a ameaça externa transformou uma reivindicação interna em uma questão de soberania nacional, mobilizando setores da população em defesa do regime.

O especialista avalia que o aumento da violência e a retórica internacional contribuíram para isolar os protestos antigovernamentais, criando um ambiente de consenso interno contra os distúrbios. Na leitura dele, a escalada dos confrontos reforçou a narrativa oficial de ameaça externa ao país.

Na mesma semana, Trump afirmou que as Forças Armadas dos EUA analisam opções de ação em relação ao Irã e indicou a possibilidade de decisões antes mesmo de uma eventual reunião com lideranças de Teerã.

Violência e reação oficial

O Ministério das Relações Exteriores do Irã convocou embaixadores de países que manifestaram apoio aos protestos para apresentar vídeos que mostram homens encapuzados e armados durante os atos, além de cenas de destruição de patrimônio público e privado.

O governo reforçou que considera as ações como sabotagem organizada. Em pronunciamento à televisão estatal, o presidente Masoud Pezeshkian declarou que manifestações pacíficas são toleradas, mas acusou grupos estrangeiros de promover violência extrema, incluindo ataques fatais contra agentes de segurança.

Autoridades iranianas responsabilizam serviços de inteligência dos Estados Unidos e de Israel por estimular os distúrbios, com o objetivo de desestabilizar o país após conflitos militares recentes na região.

Economia e contexto internacional

De acordo com Bruno Lima Rocha, o estopim dos protestos foi o fim de subsídios à importação de alimentos, medida que elevou a inflação e pressionou o orçamento das famílias. No início, as manifestações teriam ocorrido dentro dos limites institucionais, com baixa repressão.

O agravamento do cenário, segundo o analista, está ligado à atuação de grupos separatistas, à insatisfação de parte da juventude e a incentivos externos contrários ao regime instaurado em 1979. Ele afirma que, enquanto o Irã não se alinhar aos interesses das potências ocidentais, continuará sob pressão política e econômica no cenário internacional.

Fonte: cenariomt

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