Cadore foi o primeiro nome convidado, refletiu por meses sobre o convite e optou por não participar diretamente da disputa. A recusa, no entanto, não significou rompimento. Pelo contrário: ele mantém apoio político e indicou Redivo, nome capaz de sinalizar alinhamento com o “agro raiz”.
A opção por Sinop como base do primeiro suplente não é casual. O município é considerado a capital política e econômica do Norte de Mato Grosso, concentra um dos maiores colégios eleitorais do interior e mantém forte identidade bolsonarista. No segundo turno de 2018, 77,38% dos votos válidos foram para Jair Bolsonaro; em 2022, o percentual foi praticamente o mesmo, 76,95%. Com mais de 115 mil eleitores aptos, Sinop também abriga uma das cadeias agroexportadoras mais robustas do Estado, responsável por US$ 1,7 bilhão em exportações em 2025.
A aproximação com o agro é resultado de uma guinada iniciada após 2018. Eleita deputada estadual em 2014, no mesmo ano em que o pai, José Riva, foi derrotado na disputa pelo governo, Janaína construiu sua projeção inicial como uma das principais vozes de oposição ao então governador Pedro Taques. O primeiro mandato foi marcado por pautas alinhadas ao funcionalismo público e ao municipalismo, e acenos a uma base urbana progressista de Cuiabá.
O avanço do bolsonarismo redesenhou esse percurso. Após as eleições de 2018, Janaína passou a intensificar a defesa de pautas conservadoras e do agronegócio, tendo ingressado na Frente Parlamentar do Agro na Assembleia Legislativa e se aproximou de lideranças rurais em todo o Estado, movimento que ganhou força durante a pandemia.
(Janaina Riva se aproxima da Aprosoja durante Pandemia)
Atualmente, ela se declara uma deputada de direita e defende o alinhamento nacional do MDB com o movimento bolsonarista. Não se apresenta como bolsonarista raiz, mas também não disputa o eleitorado progressista ideológico. O cálculo é consolidar espaço na direita sem se fechar para o centro e para eleitores que rejeitam o radicalismo.
Essa ambiguidade é facilitada pelo partido. Janaína assumiu recentemente a presidência estadual do MDB, encerrando décadas de comando de Carlos Bezerra. O MDB mato-grossense segue sendo um partido pragmático, que abriga lideranças alinhadas a diferentes campos e opera sem amarras ideológicas rígidas. Um exemplo é que há lideranças da siglas interessadas em apoiar a candidatura ao governo do Estado de Otaviano Pivetta (Republicanos), enquanto outros estão alinhados com Wellington Fagundes (PL).Esse arranjo permite a Janaína algo raro na disputa atual: crescer sem precisar romper com ninguém. Ela perde votos no bolsonarismo mais radical, na esquerda ideológica e entre aliados diretos do governador Mauro Mendes, mas compensa essa rejeição com capacidade de somar apoios cruzados.
Em uma eleição de Senado com vaga dupla, esse perfil ganha valor estratégico. Janaína não disputa voto exclusivo. Ela aposta justamente no eleitor que divide sua escolha: o médio produtor rural, o eleitor de direita não radicalizado, servidores públicos, eleitores de centro, segmentos urbanos que a veem como oposicionista ao governo Mauro Mendes e até parte da centro-esquerda que não se identifica com lulopetismo duro.
Esse segundo voto, no entanto, só se sustenta se o agro não se tornar um obstáculo. É aí que entra a suplência. Ao escolher um nome identificado com o agro raiz, Janaína tenta blindar sua candidatura contra rejeições automáticas no campo rural e garantir adesão política nesse setor.
A força nas redes sociais complementa essa equação. Com mais de 200 mil seguidores no Instagram e presença relevante no TikTok, Janaína soma à sua tradição política o carisma e a estética das redes sociais de uma influencer. É a única mulher colocada até agora na disputa ao Senado, a mais jovem e a deputada estadual mais votada da história de Mato Grosso, atributos que ampliam alcance para além das bolhas tradicionais.
Fonte: Olhar Direto






