Na primeira vez que fui ao Beto Carrero World, eu tinha cerca de 7 ou 8 anos e era pequena demais para a maioria dos brinquedos – e grande o suficiente para nunca esquecer o calor daquele dia, que empurrou toda a minha família para as filas das atrações mais refrescantes.
De lá para cá, muita coisa mudou. O que começou em 1991 com alguns brinquedos infantis e duas lonas de circo se transformou no maior parque temático da América Latina. Hoje, o Beto Carrero ocupa 14 milhões de m² em Penha, Santa Catarina, com áreas para toda a família. Um único dia já não dá conta de tudo, mas ainda é possível montar um roteiro estratégico e aproveitar o essencial.
A seguir, um guia para curtir um dia inteiro ou otimizar a visita caso você tenha dois:
ANTES DA VISITA
FireWhip
A FireWhip é a montanha-russa mais radical do parque e uma das mais concorridas, e também uma ótima forma de começar o dia. Com trilhos suspensos, ela deixa os pés livres, o que aumenta a sensação de velocidade. Inaugurada em 2008, ela já existia na minha primeira visita ao parque, e eu implorei para ir. Não deu: a altura mínima é de 1,30 m. Anos depois, finalmente mais alta, pude realizar esse sonho de infância.
A subida inicial já concentra a tensão. A montanha-russa é rápida, sacoleja bastante e exige um certo cuidado para manter a cabeça apoiada no encosto para prevenir o torcicolo. O medo, no entanto, some assim que o percurso começa a engrenar: curvas, inversões e voltas que parecem não ter fim. Gritos? Muitos. Mas, quando acaba, a vontade é ir de novo.

Star Mountain e Big Drop
Depois de ir na FireWhip, o tempo já passou e o parque costuma ficar mais cheio. Duas boas opções nas redondezas são a Star Mountain e a Big Drop.
Hot Wheels Epic Show
Se tiver optado pela Big Drop, o Hot Wheels Epic Show estará praticamente colado. A apresentação começa às 13h30, mas em dias cheios o ideal é chegar com pelo menos uma hora de antecedência para garantir o lugar.
É um dos espetáculos mais concorridos e ocupa uma arena que rapidamente se enche de famílias e curiosos em busca de barulho, velocidade e fumaça. Quando era criança, lembro de assistir ali a um show parecido, mas na época a temática era de Velozes e Furiosos. Desde então, o espaço mudou bastante, ganhou novos cenários e uma identidade visual totalmente voltada ao universo Hot Wheels.
A apresentação acompanha um telão que mostra um grupo de amigos apaixonados por manobras radicais. Enquanto a história se desenrola, a ação acontece ao vivo na pista, com carros e motos empinando, rodopiando e saltando rampas. Em alguns momentos, mal dá tempo de reagir antes de uma nova acrobacia tomar conta da arena. O som dos motores é alto, os pneus cantam sem parar e a fumaça se espalha, deixando aquele cheiro que parece ficar preso nas narinas.

Para quem não quer esperar tanto tempo antes do espetáculo, há a opção de área VIP (a partir de R$ 40), que garante seu lugar no centro da plateia. Também é possível assistir ao show do deck do restaurante temático Hot Wheels (R$ 510 com comida inclusa). A vista é mais próxima da pista, com uma fumaça ainda mais intensa. Para mim, o clima da arquibancada tradicional – com gritos, aplausos e aquela empolgação coletiva – faz parte do show.

Pausa para o almoço
Com o fim da apresentação, já passa das 14h20, e os restaurantes costumam encher. Muitos visitantes acabam recorrendo aos quiosques de guloseimas espalhados pelo parque, sendo difícil resistir à pipoca (R$ 27 tamanho médio).
Para quem prefere uma refeição completa, a Casa de Massas é uma boa opção, embora fique mais próxima da entrada e exija uma caminhada maior. Já quem busca algo rápido e diferente do hambúrguer e de massas, pode apostar no restaurante México, na área Aventura Radical, com pratos inspirados na culinária mexicana e vista estratégica para a FireWhip.
Ferrovia DinoMagic
Depois do almoço, quando o corpo pede uma trégua das quedas e dos loopings, a Ferrovia DinoMagic surge como uma pausa bem-vinda. O passeio começa em uma estação charmosa, de onde parte um trem panorâmico que percorre cerca de 5 km em meio à vegetação de Mata Atlântica. Aos poucos, o ritmo do parque fica para trás e o trajeto revela dinossauros e cenários que surgem como pequenas surpresas.

O passeio é uma boa escolha para descansar as pernas. No meio do percurso, há uma reviravolta com o trem sendo assaltado por ladrões à cavalo. Logo depois, surge o Beto Carrero para salvar os passageiros em meio ao clima de faroeste.
Por ser uma atração mais longa, a fila, apesar de pequena, pode demorar e o passeio em si consome um bom tempo. Dependendo do movimento do dia, é fácil sair do trem já perto do início da noite, o que faz da DinoMagic uma boa ponte para os shows finais, como O Sonho do Cowboy.
Crazy River
Agora, se sobrar um tempinho antes do show O Sonho do Cowboy, o Crazy River é uma ótima pedida – especialmente se a temperatura estiver escaldante, o que não é raro no verão. Na minha visita, em dezembro, nem o protetor solar deu conta, o suor escorria, o sol castigava e, como era de se esperar, a fila crescia junto com a vontade de se refrescar.
Na atração, os visitantes embarcam em botes redondos que comportam até nove pessoas, e seguem por um percurso de água com corredeiras leves, curvas e pequenas descidas. O bote gira sem muito controle, o que garante risadas e aquela expectativa de quem vai sair mais molhado. Todo mundo se molha um pouco, mas sempre tem o “sorteado” da vez, que leva o banho completo quando a água invade o bote.
O trajeto é ambientado no universo de Madagascar, com os personagens aparecendo em meio à vegetação. É o tipo de atração feita sob medida para ir em família, só tome cuidado com os pertences, evitando deixar eles no fundo do bote.

O Sonho do Cowboy
Com o dia já se encaminhando para o fim, é hora de se deixar levar por O Sonho do Cowboy, um dos espetáculos mais tradicionais do Beto Carrero, apresentado diariamente às 19h.
No palco, os artistas dão vida a uma história de faroeste que mistura aventura, romance e humor. A trama acompanha a chegada de Beto Carrero a uma cidade dominada pelo vilão Maldock, com perseguições, confrontos e muita interação com o público. Tudo isso em um cenário grandioso, com trilha sonora cantada ao vivo.
Apesar da narrativa clássica, o espetáculo conversa com o presente. Os artistas fazem piadas e referências que estão em alta, arrancando risadas da plateia. É um espetáculo bonito, bem produzido e encerra o dia com uma dose de encanto.

Jantar
Quem não quiser se preocupar com o jantar fora do parque pode aproveitar as opções disponíveis, como a unidade da Pizza Hut. Lá, há uma pizza exclusiva em homenagem ao Beto Carrero: marguerita com tomate-cereja, apontada como o sabor preferido do fundador.
ROTEIRO DO SEGUNDO DIA
Depois de um primeiro dia dedicado às atrações mais concorridas, o segundo é ideal para explorar o parque com mais calma, revisitar áreas deixadas de lado e encarar brinquedos que, mesmo radicais, costumam ter filas mais amigáveis. Como grande parte do primeiro dia fica concentrada no lado esquerdo do parque, vale aproveitar para circular mais pelo lado direito, sem ignorar o que ainda ficou pendente do outro lado.
Spin Blast
Uma boa forma de começar o segundo dia é pela Spin Blast, um disco que comporta até 40 pessoas e se movimenta sobre um trilho em formato de onda. O brinquedo vai ganhando intensidade aos poucos, girando de um lado para o outro até alcançar as extremidades e garantindo aquele frio na barriga, que lembra o clássico Barco Viking (também presente no parque, só que do lado esquerdo, na área Ilha dos Piratas).

Rebuliço
Ainda em clima de coragem – e aproveitando que o estômago não está cheio – a próxima parada pode ser o Rebuliço, na Cowboyland. De fora a quantidade de voltas já deixa quem está vendo zonzo. Isso porque o Rebuliço conta com braços que giram em alta velocidade e formam loopings. São 12 voltas, com momentos em que o brinquedo fica completamente de ponta-cabeça. Medo? Sim, inclusive rezei bastante. Mas que foi divertido, foi.

Almoço no Excalibur
Se sobrar tempo (e orçamento), o Excalibur é uma experiência que vale o investimento. A atração, paga à parte, combina almoço e espetáculo em uma arena medieval, com uma encenação inspirada na Lenda do Rei Arthur. O público é dividido em quatro times, cada um representando um cavaleiro, e a torcida é levada muito a sério. Por isso, não tenha vergonha de colocar a coroa de papel e gritar.

Durante cerca de 1h30, os visitantes acompanham disputas encenadas com cavalos de verdade, narração empolgada e cenas intensas, enquanto são servidos com um lanche simples, batatas rústicas, refrigerante e clima de banquete.

Quem preferir almoçar algo mais rápido pode repetir as opções do dia 1 ou apostar no General Küster, na Vila Germânica, que oferece pratos inspirados na culinária alemã.
Tigor Mountain
Na Vila Germânica, a Tigor Mountain funciona como uma montanha-russa mais sussa. Não tem loopings nem inversões, mas entrega curvas e pequenas quedas, com o vento batendo no rosto. É uma boa escolha para crianças corajosas que não tem altura para outras atrações (ou adultos que preferem uma experiência menos intensa, mas ainda divertida).

Carrossel Veneziano
Ali perto, o Carrossel Veneziano conquista até os visitantes mais durões. Importado da Itália, ele é iluminado por mais de 1.800 lâmpadas e rende fotos lindas, além de costumar ter filas pequenas. Em resumo, é um clássico que funciona tanto para crianças quanto para casais e adultos em busca de magia e nostalgia.

Madagascar Circus Show
O Madagascar Circus Show é uma pausa estratégica no meio do dia: dá para sentar e ainda sair rindo. No palco, os personagens da animação aparecem em formato de circo, inspirado no terceiro filme, com números que misturam acrobacias, dança, música e interação com a plateia.
A apresentação aposta em piadas e coreografias divertidas, do jeito que as crianças adoram – e que os adultos acabam curtindo junto, seja com as reboladas do Rei Julian ou com as peripécias dos pinguins. Os números se sucedem sem longas pausas e ele cumpre muito bem a proposta de animar o pessoal.
Para quem não quer correr o risco de ficar de fora, há a opção de reservar um assento na Área VIP, vendido à parte (a partir de R$ 40).

Hot Wheels Turbo Drive

Tchibum
Para fechar o dia (ou se refrescar), o Tchibum cumpre o que promete. A atração aquática tem duas quedas molhadas, sendo impossível sair seco – e parte da diversão está justamente nisso. É uma atração simples, direta e muito disputada nos dias de calor.

No Ritmo de Trolls
Às 20h, quando os brinquedos já encerraram suas atividades, acontece o espetáculo No Ritmo de Trolls, uma despedida animada que reúne personagens de várias áreas do parque, como Trolls, Shrek, Madagascar e Kung Fu Panda. Com música, dança, luzes e fogos de artifício, é um encerramento colorido e emocionante, daqueles que fazem o público continuar dançando mesmo depois que o espetáculo acaba.

Ingressos
Compre o ingresso antecipadamente. Os passaportes de um ou dois dias variam conforme a época do ano – em geral, entre R$ 100 e R$ 460 (um dia) ou de R$ 200 a R$ 660 (dois dias).
O parque também vende os ingressos fura-fila, chamados de Fast Pass: dá para comprar o acesso a uma única atração (a partir de R$ 40) ou pacotes como o Family Pass (a partir de R$ 85, válido para Crazy River, DinoMagic, Raskapuska e Super Soaker), o Adventure Pass (a partir de R$ 85, para Barco Pirata, Spin Blast, Tigor Mountain e AutoPista) e o Adrenaline Pass (a partir de R$ 95, que inclui Rebuliço, Star Mountain, FireWhip e Big Tower).
Fonte: viagemeturismo









