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Saída dos EUA da Convenção do Clima: Stiell critica como gol contra

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A decisão dos Estados Unidos de se retirarem de organismos multilaterais ligados às mudanças climáticas, como a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e o Fundo Verde para o Clima, deve gerar efeitos globais, mas tende a ser ainda mais prejudicial para o próprio país.

A avaliação é do secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU, Simon Stiell, ao comentar a medida adotada pelo governo do presidente Donald Trump. Além dessas saídas, os EUA também anunciaram o desligamento do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, grupo científico responsável por relatórios que embasam políticas contra o aquecimento global.

Segundo Stiell, a decisão representa um “gol contra colossal”, uma vez que os Estados Unidos tiveram papel central na criação tanto da Convenção do Clima quanto do Acordo de Paris. Para ele, o afastamento da cooperação internacional e da ciência climática pode afetar negativamente a economia, os empregos e o padrão de vida da população norte-americana.

O secretário destacou que, enquanto outros países avançam em conjunto, o recuo dos EUA ocorre em um momento de agravamento de incêndios florestais, enchentes, tempestades e secas, fenômenos que elevam custos e riscos para a sociedade. Ao todo, o governo norte-americano anunciou a saída de 66 organizações internacionais.

Impactos econômicos

A Convenção do Clima da ONU é responsável pela organização anual da Conferência das Partes, a COP, principal fórum global sobre mudanças climáticas. Para Stiell, a decisão dos EUA deve resultar em aumento nos preços de energia, alimentos, transporte e seguros, afetando famílias e empresas.

Ele avalia que, à medida que as energias renováveis se tornam mais baratas do que os combustíveis fósseis, a insistência em fontes tradicionais tende a ampliar a volatilidade econômica, os conflitos e a instabilidade regional.

O Instituto Talanoa, organização brasileira dedicada ao debate climático, considera que a saída dos EUA do IPCC e da Convenção do Clima inaugura um novo capítulo de tensão política em meio à crise climática global. Para a entidade, o movimento enfraquece a credibilidade internacional dos Estados Unidos, mas não determina, de forma isolada, o futuro da governança climática.

A presidente do instituto, Natalie Unterstell, avalia que o regime multilateral segue em funcionamento, embora o financiamento climático internacional deva sofrer impacto imediato com a retirada norte-americana.

Posição do governo

Em nota, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, classificou o Fundo Verde para o Clima como uma organização radical e afirmou que o país não irá mais financiá-lo. Segundo ele, o governo Trump defende que energia acessível e confiável é essencial para o crescimento econômico e a redução da pobreza.

Bessent afirmou ainda que os Estados Unidos permanecem comprometidos com o desenvolvimento de diferentes fontes de energia, mas consideraram incompatível a permanência no Fundo Verde com as prioridades e metas da atual administração.

Fonte: cenariomt

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