Da Renascença à contemporaneidade, paixão, desejo e violência atravessam a história da arte em Metamorphoses, exposição que reúne mais de 80 obras inspiradas no poema de Ovídio. A mostra acontece no Rijksmuseum, em Amsterdã, de 6 de fevereiro a 25 de maio, e segue para a Galleria Borghese, em Roma, de 22 de junho a 20 de setembro.
Há mais de dois mil anos, Metamorfoses, de Ovídio, narra um mundo em constante mudança, em que deuses e mortais se transformam sem parar. Hoje, essas histórias atravessam o tempo e encontram eco nas obras de artistas de diferentes épocas reunidas na exposição.
A ideia de transformação
No centro da mostra está a ideia de metamorfose, em que corpos que se tornam pedra, ninfas são transformadas em árvores e deuses assumem formas animais para enganar humanos. Ovídio sintetiza esse universo numa frase que atravessa toda a exposição: “tudo muda, mas nada morre.”
Poucos textos da Antiguidade influenciaram tantos artistas quanto Metamorfoses, de Ovídio. No início do século 17, o poeta e teórico Karel van Mander definiu a obra como uma espécie de “bíblia dos artistas”. Isso porque, depois da Bíblia, o poema permaneceu por séculos como uma das principais fontes de inspiração para pintores, escultores, gravadores, escritores e compositores – um legado revisitado pela exposição.
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Obras expostas
Com mais de 80 obras vindas de museus e coleções internacionais, Metamorphoses reúne artistas que ajudaram a moldar a história da arte. Estão ali Danaë, de Ticiano; Minerva e Aracne, de Tintoretto; Júpiter e Io, de Correggio; Narciso, de Caravaggio; e a escultura Pigmalião e Galateia, de Rodin, apresentada em diálogo com a pintura de Gérôme sobre o mesmo mito, em que o escultor se apaixona por sua própria criação.

As histórias escolhidas expõem relações atravessadas por abuso de poder, punições e vingança. O castigo de Aracne, transformada em aranha após desafiar Minerva, divide espaço com os sucessivos disfarces de Júpiter – touro, cisne, névoa ou chuva de ouro – usados para enganar e possuir suas vítimas.
A exposição cruza séculos, técnicas e materiais para mostrar como os mitos de Ovídio continuam sendo reativados por diferentes linguagens visuais. Pintura, escultura, metais preciosos e cerâmica convivem com fotografia contemporânea e videoarte, em obras de artistas como Rubens, Brancusi, Magritte e Louise Bourgeois, que expandem o alcance do poema para além de seu tempo de origem.
Entre os núcleos mais singulares da mostra está a reunião inédita da escultura Perseu com a Cabeça de Medusa, de Hubert Gerhardt, apresentada junto à seu protótipo, a obra de Cellini com o mesmo título. O percurso inclui também três retratos de Arcimboldo, cujos rostos, formados por frutas, flores e objetos, materializam de forma literal a ideia de metamorfose.

Embora compartilhem o mesmo eixo conceitual, as exposições em Amsterdã e Roma terão configurações diferentes, adaptadas aos espaços e às coleções de cada museu. No Rijksmuseum, a expografia é assinada pelo designer holandês Aldo Bakker.
Serviço
Onde?
Amsterdã: Rijksmuseum – Museumstraat, 1
Roma: Galleria Borghese – Piazzale Scipione Borghese, 5
Quando?
Amsterdã: De 6 de fevereiro a 25 de maio de 2026
Roma: De 22 de junho a 20 de setembro de 2026
Quanto?
Ingressos no Rijksmuseum: € 25
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Fonte: viagemeturismo






