Saúde

Gêmeos gorilas-das-montanhas nascem em parque africano: Fenômeno Raro e Surpreendente

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  • O Parque Nacional de Virunga, no leste da República Democrática do Congo, ganhou dois moradores muito fofos: filhotes gêmeos de gorilas-das-montanhas, uma das subespécies mais raras e ameaçadas do planeta.

    Os filhotes nasceram no início de 2026 e chamaram a atenção de conservacionistas e pesquisadores por representarem um avanço importante para a sobrevivência desses grandes primatas.

    Os gêmeos são filhos de Mafuko, uma fêmea de 22 anos que integra a família Bageni, um dos maiores grupos de gorilas monitorados no local. Eles foram descobertos em 3 de janeiro por rastreadores comunitários responsáveis pelo acompanhamento diário da população local.

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    Ambos os bebês são machos e aparentavam estar saudáveis no momento da observação inicial, informou a administração do parque em comunicado.

    Nascimentos de gêmeos entre gorilas-das-montanhas são raros (menos de 1% das gestações; nos humanos, essa taxa é de 1,2%). Isso ocorre porque, em geral, os primatas são biologicamente adaptados a dar à luz apenas um filhote por vez.

    “Gêmeos são particularmente incomuns devido ao ritmo lento de vida da espécie e à forte dependência dos filhotes ao nascer”, afirmou Laura Parker, chefe de Programas de Conservação do Parque Nacional de Virunga, à BBC Wildlife.

    Por isso, cada caso desperta atenção especial, sobretudo nos primeiros meses de vida. Segundo Parker, os filhotes de gorila mamam por longos períodos e exigem vários anos de cuidado materno exclusivo. Essa demanda faz com que as fêmeas concentrem praticamente toda a sua energia em um único descendente.

    Sustentar dois filhotes simultaneamente impõe uma exigência elevada de energia e de produção de leite, além de um esforço físico considerável. Mães e pais de gêmeos, vocês sabem como é.

    Nos primeiros meses, os bebês são carregados constantemente, e como os gorilas percorrem longas distâncias em busca de alimento, lidar com dois filhotes se torna especialmente desgastante. Além disso, ao contrário de algumas outras espécies de mamíferos, estes animais não costumam compartilhar o cuidado dos filhotes.

    Com a chegada dos gêmeos, a família Bageni passou a contar com 59 indivíduos, tornando-se a maior do Parque Nacional de Virunga. O local informou que medidas adicionais de monitoramento e segurança já estão em vigor para aumentar as chances de sobrevivência dos recém-nascidos.

    Aproximadamente metade dos gorilas-das-montanhas que ainda vivem na natureza habita a região das montanhas Virunga, que se estende pela República Democrática do Congo, Ruanda e Uganda. Estima-se que pouco mais de 1.000 indivíduos existam hoje em todo o mundo, segundo dados do World Wide Fund for Nature (WWF). A subespécie está listada como ameaçada de extinção na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

    Ao longo das últimas décadas, os gorilas-das-montanhas enfrentaram pressões constantes, como caça, doenças transmitidas por humanos, destruição do habitat e a instabilidade política do leste congolês. 

    O próprio Parque Nacional de Virunga, inaugurado em 1925 e considerado a reserva natural mais antiga da África, convive com a presença de grupos armados e conflitos que afetam a conservação da floresta.

    A gorila Mafuko carrega uma trajetória que reflete esse contexto. Nascida em 2003 na família Kabirizi, ela perdeu a mãe em 2007, assassinada por homens armados. 

    Após a divisão do grupo Kabirizi, em 2013, ela passou a integrar a família Bageni. Ao longo da vida, já deu à luz sete filhotes. Em 2016, teve um par de gêmeos que morreu uma semana após o nascimento, o que torna o atual caso ainda mais significativo para os pesquisadores.

    “O nascimento desses gêmeos representa um evento importante para a dinâmica da família Bageni e para os esforços contínuos de conservação, visando apoiar o crescimento da população de gorilas-das-montanhas ameaçada de extinção dentro do Parque Nacional de Virunga”, diz a nota do parque. 

    Apesar dos riscos, os responsáveis pela área veem no episódio um sinal de esperança. Em 2025, segundo o porta-voz do parque, Bienvenu Bwende, Virunga registrou outros oito nascimentos de gorilas-das-montanhas.

    Com apoio internacional, incluindo recursos da União Europeia e da UNESCO, equipes locais seguem apostando no monitoramento intensivo e na proteção do habitat como caminhos para garantir que os novos moradores consigam sobreviver e crescer em um dos ambientes mais desafiadores para a conservação no mundo.

    “O simples fato de os gorilas ainda existirem, quanto mais se reproduzirem e aumentarem em número, já vai contra as probabilidades. Um nascimento de gêmeos, com toda a sua improbabilidade inerente, reforça essa realidade. É um lembrete afetuoso de que a proteção de longo prazo e a determinação dos guardas e da equipe realmente fazem diferença e de que, mesmo nos contextos mais difíceis, coisas boas ainda são possíveis. Basta continuar insistindo”, concluiu Parker. 

    Fonte: abril

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