Eventos

Grafite em Cuiabá: O Poder do Protagonismo Feminino nas Artes Urbanas

Grupo do Whatsapp Cuiabá
2026 word1

O grafite tem ampliado sua presença nos muros de Cuiabá e, junto com ele, cresce também o protagonismo feminino na arte urbana da capital. Em um cenário historicamente ocupado por homens, mulheres têm transformado paredes em espaços de expressão, identidade e resistência.

Hoje, pelo menos 28 grafiteiras atuam em Cuiabá, levando para as ruas narrativas que refletem sentimentos, vivências e o olhar feminino sobre a cidade. Para a grafiteira Isabelly Mendes, o grafite é uma forma de afirmação.

“É uma forma de resistência, de mostrar que a gente existe”, afirma. Designer gráfico há quase nove anos, ela conta que sempre teve ligação com a pintura, mas encontrou no grafite um meio direto de se expressar. “O grafite me ajudou a expressar o que eu tô sentindo”, completa.

Além da identidade artística, o grafite também funciona como válvula de escape emocional. A grafiteira Evelyn Arruda relata que a arte está presente nos momentos mais difíceis do dia a dia. “Às vezes tô triste ou com raiva, vou desenhar e pintar. Distrai muito a cabeça”, diz.

Esse movimento feminino se fortaleceu com a criação do coletivo Manas do Mato, que completou um ano este mês e se consolidou como o primeiro coletivo exclusivamente feminino de grafite em Cuiabá. A iniciativa amplia a presença das mulheres na cena urbana e cria uma rede de apoio entre as artistas.

De acordo com a grafiteira Arlene Lourenço, o coletivo nasceu de encontros em eventos culturais e ações urbanas, e ganhou força após uma experiência fora do estado. “Conseguimos levar 10 meninas para um evento em Recife. Depois disso, decidimos que agora somos um coletivo de mulheres do Mato Grosso que grafita”, explica.

Desde então, o grupo tem realizado intervenções em diferentes pontos da capital, transformando muros em grandes telas a céu aberto. Um dos trabalhos foi feito no Parque Zé Bolo Flô, em Cuiabá, e a recepção do público tem sido positiva. “Todas as vezes que a gente faz um trabalho coletivo, o retorno é muito bom”, relata Isabelly.

Cores, traços e identidade: mulheres do coletivo Manas do Mato grafitam muro do Parque Zé Bolo Flô. – Vídeo: Manas do Mato

Com artistas espalhadas por diferentes cidades do estado, o coletivo agora busca ampliar o alcance da arte e incentivar mais mulheres a ocuparem os espaços urbanos. Para Isabelly, a presença feminina nos muros é também um ato de resistência cotidiana. “É sobre mostrar que a gente é capaz, que consegue fazer muita coisa incrível”, afirma.

Já para Arlene Lourenço, a força do grupo está na união. “Sozinha a gente é bom, mas acompanhada é melhor ainda. A gente se fortalece uma na outra”, pontua.

Integrante do coletivo, Evelyn Arruda resume o sentimento de pertencimento ao movimento. “Eu participo do grupo de mulheres chamado Manas do Mato”.

Projeto MULTI

Esta reportagem foi produzida durante o Projeto MULTI, iniciativa da Rede Matogrossense de Comunicação (RMC) que promoveu uma imersão prática no jornalismo multiplataforma. O projeto envolveu todas as etapas da produção jornalística, desde o planejamento da pauta até a exibição do material final.

Ao longo da formação, os participantes realizaram gravações em campo, produção de reportagens completas, edição, fechamento de textos, gravação de offs e avaliações individuais, com acompanhamento técnico. O Projeto MULTI foi estruturado em três frentes: MOJO (Mobile Journalism), com foco no uso profissional do celular; “Que História Quero Contar”, voltada à construção narrativa; e Captação de Imagem, que trabalhou enquadramento, movimento de câmera, áudio, entrevistas e iluminação.

Fonte: primeirapagina

Sobre o autor

Avatar de Redação

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.