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Impactos da Adultização Infantil: Entenda os Efeitos Negativos na Criança

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Nós, das gerações anteriores à época digital, costumamos dizer em alto e bom tom: Que saudade da minha infância, quando éramos crianças e brincávamos como crianças; que saudade da minha adolescência, quando já não éramos mais crianças, mas ainda não havíamos nos tornado adultos, éramos adolescentes, brincávamos e agíamos como adolescentes.

Quando crianças, nossos pais e até mesmo a sociedade geral não nos permitiam brincar ou agir como adolescentes e quando chegamos a essa fase da vida, também nos colocavam no nosso papel, jamais éramos estimulados a agir como adultos, precisávamos viver cada fase completamente, até passar à próxima. A cronologia etária condiz com nossa idade emocional, não devemos apressá-la, não temos o direito de fazer isso e prejudicar as fases da nossa vida. Nós não temos esse direito e, principalmente, os outros não o têm, ainda que sejam nossos próprios pais.

E o que dizer quando crianças e adolescentes são pressionados e, até mesmo, obrigados a adotar responsabilidades e comportamentos de adultos, se não há preparo emocional, cognitivo e até mesmo físico para isso? Pois é, isso tem acontecido, e muito, nos dias atuais, é um processo que pula etapas e, de forma maldosa, suprime fases de grande importância na vida de crianças e adolescentes, com sérios riscos ao bem-estar físico e mental desses jovens, que constituem grande parte da população de hoje, que é prejudicada por um mal que não é, nem ao menos, por ela escolhido.

Este processo é conhecido como Adultização Infantil, que nada mais é do que a aceleração forçada do desenvolvimento, com a exigência de que crianças e adolescentes assumam papéis, tarefas e até mesmo identidades de pessoas adultas. Crianças que ficam sobrecarregadas com a quantidade de compromissos diários; uso de roupas mais adultas e de produtos estéticos muitas vezes contraindicados à pele infanto-juvenil; cuidados com a casa, com irmãos mais novos; etc.

Da adultização para a erotização é um passo, quando jovens são obrigados a expor conteúdos inadequados de suas vidas e de seus corpos, com comportamentos sexualizados para atrair adultos com comportamentos pedofílicos. A adultização, por si só, já é nefasta; a erotização, por outro lado, é mais que isso, é criminosa. Se de alguma forma isso sempre ocorreu, sem sombra de dúvida, hoje sua ocorrência é exponencialmente maior, carreada para milhões de pessoas, em diferentes partes do mundo, por meio das diversas plataformas, que compõem as redes sociais. Hoje, assistimos a vídeos de crianças que são verdadeiras influencers, que se vestem como adultos, maquiam-se como adultos, falam como adultos, agem como adultos e mostram-se sensuais, tornando-se objetos de desejo para mentes maliciosas ou, pelo menos, estimulando esses malfeitores à busca de prazer com outras crianças, ou aliciando jovens para agir de modo semelhante a aquele que assistiram.

Infelizmente a pressão, em grande parte dos casos, é familiar, que nutre uma expectativa de sucesso precoce. O jovem é visto como a “galinha dos ovos de ouro” da casa, é mais do que um vídeo, é uma possível máquina de ganhar dinheiro rápido, da noite para o dia. Muitas vezes são agendas lotadas em busca de um futuro promissor. As atividades escolares não são suficientes, há necessidade de uma, duas, três ou mais coisas fora da escola. O jovem, criança ou adolescente, emocionalmente imaturo, desenvolve uma vida adulta, sem os cuidados da maturidade emocional e cognitiva para perceber as malícias da vida, defrontá-las e combatê-las.

É grande também o aliciamento de menores por influenciadores, por meio das plataformas digitais, erotizando crianças e adolescentes e expondo vídeos com conteúdo sexual, envolvendo essas crianças, para agradar os milhares de pedófilos das redes, sempre à espreita de novos materiais.

Os danos emocionais vão chegar ou ainda na etapa infanto-juvenil, ou mesmo na idade adulta. Esses jovens se tornarão crianças que não conheceram outro modo de barganha na vida que não seja a exposição, principalmente sexual. Provavelmente desenvolverão estresse, baixa autoestima, ansiedade, depressão, problemas com a sexualidade e outros quadros psiquiátricos. Certamente necessitarão de acompanhamento médico e psicológico.

O perigo está nas redes e naqueles que aceitam e compartilham vídeos de menores de idade. Além disso, o grande problema nessa questão é que, os próprios pais são, frequentemente, os maiores vilões dessa história, pois aqueles que deveriam proteger são os mesmos que expõem o filho e esquecem que fama e dinheiro não podem estar acima do considerado maior amor da humanidade – o dos pais pelos filhos. Afinal de contas quem ama não descuida, quem ama protege, quem ama, simplesmente, ama.

Fonte: primeirapagina

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