O empresário Rubens Menin afirmou, nesta quarta-feira, 26, que o país tem de reduzir o número de beneficiários em programas assistenciais, como o e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Ele proferiu a declaração durante um evento do BTG Pactual, em São Paulo.
De acordo com Menin, o país não dispõe de recursos suficientes para sustentar tais programas em seu tamanho atual, com custos anuais próximos a R$ 300 bilhões. Ele acredita que é essencial discutir esse assunto, especialmente em meio ao debate sobre o déficit público.
“Tem de entender que estamos dando aquele benefício”, salientou Menin. “Queremos dar. Na hora que a gente tiver uma consciência tributária e fiscal melhor, discutida com toda a sociedade, vamos achar a luz no fim do túnel.”
O otimismo de Menin com os negócios
O empresário citou a falta de mão de obra qualificada no país, que é uma preocupação compartilhada por empreendedores, e sugeriu que as empresas adotem uma abordagem “asset light” para lidar com a incerteza econômica. Trata-se de uma estratégia de redução de custos, em que se trabalha com a menor quantidade possível de ativos. Assim, mantém-se apenas aquilo que é essencial para as operações do negócio.
“Também não sei prever de quanto serão os juros daqui a quatro anos”, observou o fundador da MRV, do Banco Inter e da . “Mas a tendência não é boa para os próximos anos aqui e no mundo.”
Embora o cenário seja desafiador, Menin expressou otimismo com seus negócios. Ele previu que todas as suas empresas, incluindo a CNN, alcançarão fluxo de caixa positivo até 2025. “É uma vitória que a gente conseguiu, 100% das empresas”, afirmou. “Até a emissora de TV, que é mais difícil.”
O país do Bolsa Família
As populações da Argentina (45 milhões), Uruguai (3 milhões) e Paraguai (7 milhões), somadas, chegam a 55 milhões de pessoas. O número é inferior ao de beneficiários do Bolsa Família neste Brasil de 2024: 56 milhões de cidadãos. Um exército de dependentes do Estado. É o número mais elevado em 21 anos de história do programa.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a força de trabalho brasileira é de 108 milhões de pessoas. Somente 100 milhões estão empregados. Desses, somados os setores público e privado, apenas 46 milhões têm carteira assinada. Ou seja, existem mais brasileiros recebendo o Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada.
Para cada 1,5 trabalhador que tem os impostos descontados diretamente em seu holerite, existe um beneficiário do Bolsa Família que deve ser sustentado. No Maranhão, a proporção é invertida: a cada dois beneficiários, há um trabalhador formal. Em Santa Catarina, ao contrário, a cada dez carteiras assinadas, há apenas um beneficiário do programa social.

Quando o Bolsa Família foi criado, no dia 20 de outubro de 2003, contemplava 1,15 milhão de famílias, que recebiam cerca de R$ 73 (ou R$ 230 em valores atuais corrigidos). Hoje são 21 milhões de famílias, com uma média de repasses de R$ 700 para cada uma. A cada cinco domicílios brasileiros, um recebe o benefício. E o programa não para de crescer. Desde março de 2023, quase 3 milhões de novas famílias passaram a ser atendidas pelo programa.
Sem contar que, no Brasil, 5% dos domicílios têm algum integrante que recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC), um salário mínimo por mês para idosos ou pessoas com deficiência de qualquer idade. Isso soma mais de 6 milhões de brasileiros dependentes do Estado. Além disso, 1,4% dos lares, ou mais de 2 milhões de pessoas, é beneficiário de algum outro programa social.
No total, quase 66 milhões de cidadãos sobrevivem graças a transferências de recursos públicos, ante apenas 6 milhões de CNPJs existentes no país. O Brasil empreendedor corresponde a menos de 10% do Brasil que depende do governo.
Essa situação insustentável está começando a gerar uma série de problemas econômicos e distorções sociais.
Fonte: revistaoeste