Sophia @princesinhamt
Ciência & Saúde

Novichok: arma química em ‘Bagagem de Risco’. Saiba o que é e seu impacto

2025 word3
Grupo do Whatsapp Cuiabá

O texto contém alguns spoilers do filme. Esteja avisado.

Os filmes de Natal seguem uma fórmula clássica: muito amor, músicas natalinas e um milagre para o dia 25. O filme Bagagem de Risco, que estreou recentemente na Netflix, tem tudo isso – mas também tem armas químicas e o risco de um ataque terrorista.

Ethan Kopek (Taron Egerton, de KingsmanRocketman) é um funcionário frustrado da TSA (Administração de Segurança dos Transportes) no movimentado aeroporto de Los Angeles, nos EUA. Ele e sua esposa, Nora (Sofia Carson), que também trabalha no aeroporto, descobrem estar grávidos. É Natal e, com a chegada do primeiro filho, Ethan tenta conquistar um cargo mais importante na TSA. O problema: ele é forçado a cooperar com um criminoso (Jason Bateman, de Ozark) que deseja embarcar com uma mala que jamais passaria pela inspeção do raio X.

Não demora muito para que o conteúdo seja revelado: Novichok, arma química desenvolvida durante a Guerra Fria que, no filme, aparece na forma de uma bomba escondida dentro de uma mala preta com um lacinho vermelho em cima (nada grita mais “Natal” do que um presente embrulhado com um laço, não?).

O dispositivo ameaça um voo com mais de 200 passageiros na véspera do feriado. Sobra para Ethan desarmar a bomba e salvar a vida das pessoas do avião. Tudo isso enquanto é manipulado pelo personagem de Bateman, que coloca em risco a vida da namorada de Nora e outros conhecidos do protagonista.

 

Mas, afinal, o que é o Novichok?

O Novichok é uma arma de “sistema binário”, que ocorre quando duas substâncias menos tóxicas (nesse caso, ambas à base de fosfato) são misturadas no ataque, criando um gás letal. Uma arma química é um dispositivo projetado para liberar substâncias tóxicas com o objetivo de matar ou incapacitar pessoas, animais ou destruir plantas (agrotóxicos, então, entram na lista de armas químicas).

Essas substâncias podem ser gases, líquidos ou sólidos e são projetadas para causar danos ao sistema respiratório, nervoso ou a outros órgãos vitais. 

O gás do filme foi inventado pelos russos entre 1970 e 1980, mas a ideia original veio dos americanos. Durante o período da Guerra Fria, cientistas estadunidenses alimentavam os soviéticos com informações falsas de desenvolvimentos científicos e químicos que estavam produzindo. O objetivo era prender os russos em um “buraco negro”, fazendo com que eles tentassem desenvolver armas impossíveis para acompanhar os avanços americanos, perdendo tempo e investimentos.

O tiro, porém, saiu pela culatra. Uma das pistas falsas dos Estados Unidos conseguiu sair do papel em terras soviéticas e se transformou numa das substâncias mais perigosas do mundo. Até então, a medalha de ouro ia para o gás VX, mas o Novichok chegou para roubar o prêmio, sendo de cinco a oito vezes mais letal.

O Novichok afeta o sistema nervoso, bloqueando a ação da enzima acetilcolinesterase e causando a superestimulação das células nervosas. Como resultado, quem entra em contato apresenta sintomas como dificuldades respiratórias, contrações musculares, paralisia e, em casos graves, falência respiratória e morte. O tratamento envolve o uso de antídotos, como atropina e pralidoxima, além de suporte para respirar.

Armas químicas são proibidas por tratados internacionais, como a Convenção sobre Armas Químicas, e, claro, extremamente secretas: não dá para dar um Google e descobrir a receita de como criá-las. Não dá também para saber quem tem o Novichok em mãos, mas acredita-se que além dos americanos e russos, alemães também têm uma amostra.  

O que tem de verdade no filme?

A ficção de Bagagem de Risco acertou muita coisa. Por exemplo: o Novichok tem pelo menos cinco variações, que mudam inclusive sua forma física. Embora chamado de gás, o agente é líquido, e dá para usar a liberdade poética para pensar em sua aplicação: dá para vaporizar, criar um coquetel batizado, no sabão do banho ou até na água da lava-roupas. Ele também pode ser transformado em versões sólidas, como num pó ultrafino. Então, colocar o químico dentro de uma mala, por mais arriscado que pareça, funcionaria. 

Fica um pouco mais complicado saber se o componente seria letal de imediato. O plano dos vilões do filme é dispersar o Novichok em um avião. Além disso, o personagem de Bateman também ameaça explodir a bomba no aeroporto. Ele afirma que, no momento em que o gás atingisse o duto de ventilação, milhares de pessoas morreriam em minutos.

Na vida real, porém, o material disperso em seu estado líquido teria que cobrir um grande espaço, então provavelmente demoraria um pouco para que as pessoas sentissem seus efeitos. Por isso, não dá para saber se os passageiros morreriam ainda no ar. Em alguns relatos mais recentes, o gás parece ter sintomas como tosses violentas e vômitos que levam à inconsciência, porém se tratados em hospitais a chance de sobrevivência é alta.

Ou seja: se o plano fosse intoxicar os pilotos e aí provocar a queda do avião, a chance de sucesso do atentado terrorista seria maior. 

Para entender mais sobre os bastidores da criação do Novichok, vale ler o especial que publicamos na Super em 2021. Confira aqui.

window.NREUM||(NREUM={});NREUM.info={“beacon”:”bam.nr-data.net”,”licenseKey”:”a715cdc143″,”applicationID”:”420428730″,”transactionName”:”YF1WYRNXWxJZABFRVlkXdVYVX1oPFxAMVl5bXQ==”,”queueTime”:0,”applicationTime”:629,”atts”:”TBpBF1tNSE0aAkcCQkpF”,”errorBeacon”:”bam.nr-data.net”,”agent”:””}

Fonte: abril

Sobre o autor

Avatar de Redação

Redação

Estamos empenhados em estabelecer uma comunidade ativa e solidária que possa impulsionar mudanças positivas na sociedade.