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90 anos da Rádio Nacional: Digitalização marca aniversário e impulsiona debate sobre memória e futuro

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2026

O segundo dia do 7º Simpósio da Rádio Nacional, realizado na quinta-feira (21), reuniu pesquisadores, gestores de acervos e representantes de emissoras públicas e privadas para discutir um tema central para o setor: a preservação da memória radiofônica brasileira em meio à transformação digital.

Em meio às celebrações pelos 90 anos da Rádio Nacional, o evento destacou como o rádio segue em constante reinvenção, incorporando recursos como plataformas digitais, inteligência artificial, podcasts e transmissões multiplataforma. Especialistas reforçaram que preservar arquivos históricos também significa garantir identidade cultural e ampliar o acesso à informação.

Na primeira mesa de debates, dedicada ao papel dos acervos, o presidente do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (MIS-RJ), Cesar Miranda Ribeiro, ressaltou a relevância histórica do acervo da emissora e sua contribuição para a formação da própria instituição. Ele destacou que o museu reúne mais de 53 mil itens, entre documentos, gravações e materiais iconográficos, muitos deles relacionados à trajetória da Rádio Nacional.

Segundo o dirigente, essa preservação funciona como complemento direto ao trabalho realizado pela própria emissora na conservação de seu patrimônio sonoro, reforçando a importância da integração entre instituições culturais.

Pesquisas acadêmicas também apontam o papel central da Rádio Nacional na consolidação da cultura de massa no Brasil e sua relevância contínua para estudos históricos e culturais.

A gerente de acervo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Maria Carnevale, apresentou os desafios da digitalização do acervo institucional. Ela destacou que a preservação exige critérios técnicos rigorosos de catalogação e organização, além de um esforço contínuo de curadoria humana aliado ao uso de tecnologias.

Entre os dados apresentados, estão 7.280 fitas de rolo armazenadas, quase 6 mil acetatos, mais de 3 mil CDs e um acervo superior a 153 mil páginas de roteiros de radionovelas. Atualmente, cerca de 28,2% desse material já foi digitalizado.

Maria também ressaltou a importância dos metadados para garantir a recuperação eficiente das informações, destacando que a tecnologia auxilia, mas não substitui o trabalho técnico especializado.

No debate sobre inovação, a coordenadora artística da Rádio Globo, Thays Gripp, apresentou a transformação da emissora, que passou a operar de forma integrada com plataformas digitais, redes sociais e conteúdos sob demanda. Ela destacou o uso de pesquisas com o público para orientar mudanças e estratégias de programação.

Representando a Ozen FM, Bruno Pinheiro abordou o impacto da inteligência artificial e dos podcasts no consumo de áudio. Ele explicou que novas ferramentas permitem mensurar e redistribuir conteúdos radiofônicos em ambientes digitais, ampliando o alcance das produções.

Para ele, o podcast representa uma continuidade do modelo tradicional do rádio, adaptado às novas dinâmicas de consumo.

A pesquisadora Juliana Paiva também contribuiu para o debate ao discutir métricas de audiência no ambiente multiplataforma e os desafios de compreender o comportamento do ouvinte na era digital.

Já o representante da Sputnik Brasil, Gilberto Ramos, destacou o alcance internacional da agência e o papel estratégico do rádio como ferramenta de comunicação global. Ele ressaltou a atuação em dezenas de países e idiomas, reforçando o conceito de mídia como instrumento de influência cultural.

Ao comentar o futuro do meio, Gilberto afirmou que o rádio mantém sua relevância mesmo diante da expansão digital, destacando sua capacidade de alcançar públicos em diferentes contextos e regiões.

Fonte: cenariomt

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