O “Conduta do Gueto”, grupo musical de Várzea Grande, na região metropolitana de Cuiabá, une o rap e lambadão para mandar sua mensagem: mostrar o que acontece na periferia, sob o olhar de quem nasceu e vive lá. É música que leva a reflexão, mas com ritmo animado e regional.
O grupo foi criado em 2008, no bairro Mapim, e tem quatro integrantes: os rappers Odilio Marcelo da Costa, o “Xito”, Eduardo José de Andrade, Tiago Chaveiro, conhecido como “Santiago do Pântano”, e Michael Lucas Gomes Lara, o “DJ Luccas JV”.
Segundo eles, a missão do Conduta do Gueto é fazer músicas contestadoras, de denúncias e que levem informações para a sociedade.
“Nosso objetivo principal é trabalhar dentro das periferias com a juventude, levando informação, lazer e cultura para o nosso povo, para todos que sofrem qualquer forma de opressão e preconceito. E a gente tem essa ferramenta de luta: o hip-hop”, disse Xito.
O rapper contou que a primeira música que gravaram foi “Matemática do Gueto”, que acabou gerando muita polêmica, mas foi importante para que eles se fortalecessem e continuassem a caminhada.
“A partir do momento que a gente tomou uma posição de fala, de contra-argumentar, gerou um ataque, que poderia fazer com que a gente parasse por ali. A gente formou o Conduta do Gueto dentro dessa visão e essa polêmica nos deu até mais força para continuar. Porque aí, a gente começou a ver que é importante nós nos posicionarmos, a nossa fala tem que ser ouvida, independentemente de como é interpretada”, argumenta Xito.
E o lambadão?
Desde o começo, o grupo criava músicas inspiradas no hip-hip americano e foi o “Pântano” que apresentou a ideia para deixar o grupo mais regional, ao inserir o som do lambadão e rasqueado nas composições.
“A gente era rígido a respeito de certos sons que chegavam pra gente e fazíamos rap mais original. Quando o “Pântano” chegou pra nós com essa proposta, a gente questionou, será que vira? E ele falou sobre a importância da valorização da nossa cultura”, lembra Xito.
“Se a gente não valorizar aquilo que é nosso, aquilo que é da nossa terra, a nossa própria cultura, a gente vai matando, gradativamente, aquilo que foi construído lá trás. O Pântano apresentou, a gente abraçou e quando tocamos pela primeira vez foi incrível, a recepção do público foi sensacional”, completou.
Pântano conseguiu fazer uma música de ritmo dançante e alegre, mas que manteve a missão do grupo: fazer canções com letras reflexivas sobre a realidade que vivem.
“A gente se preocupa muito com a mensagem que vai chegar. Não só o conteúdo sonoro, mas como que a pessoa vai receber essa mensagem, o que vai fazer de diferente dentro dessa pessoa e qual a reflexão que vai ter. Isso, em todos os trabalhos que a gente faz”, analisa Xito.
Furar bolhas
Ao inserirem o lambadão e rasqueado em suas produções, o grupo também conseguiu furar bolhas. Eduardo lembra que o público do grupo era formado por estudantes da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso) e da “quebrada”, mas isso mudou.
“A gente precisava muito de algo que furasse essa bolha e apareceu essa flecha, que é o rastreado e o lambadão, com uma mensagem muito forte. Furamos a bolha e hoje a gente consegue levar as outras músicas do grupo e acaba surpreendendo o público, recebendo convite para estar em festivais, que, muitas vezes, a gente não estaria”, avalia Eduardo.
Fonte: primeirapagina