O oligarca russo Yevgeny Prigozhin admitiu, nesta segunda-feira, 7, que interferiu nas eleições dos Estados Unidos e voltará a fazê-lo no futuro, a primeira confissão vinda de uma figura nomeada por Washington nos esforços para influenciar a política americana.
Em comentários postados pelo serviço de imprensa de sua empresa Concord, no VKontakte, espécie de Facebook russo, Prigozhin disse que “interferimos [nas eleições americanas], estamos interferindo e continuaremos a interferir. Com cuidado, precisão, cirurgicamente e à nossa maneira, como sabemos fazer.”
A observação foi publicada na véspera das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, em resposta a um pedido de comentário de um site de notícias russo.
“Durante nossas operações pontuais, removeremos os rins e o fígado de uma só vez”, disse Prigozhin. Ele não deu mais detalhes sobre o comentário enigmático.
Prigozhin, chamado de “chef de Putin” porque sua empresa de buffet opera contratos com o Kremlin, foi formalmente acusado de patrocinar “fazendas de trolls”, com sede na Rússia, para influenciar a política dos Estados Unidos.
Em julho, o Departamento de Estado americano ofereceu uma recompensa de até US$ 10 milhões por informações sobre Prigozhin em conexão com “engajamento na interferência eleitoral dos Estados Unidos”. Ele foi alvo de sanções do país, bem como do Reino Unido e União Europeia, devido às acusações.
Prigozhin manteve um perfil público discreto até recentemente, mas tornou-se mais franco no decorrer da guerra na Ucrânia, inclusive criticando o desempenho dos generais russos.
Em setembro, ele admitiu ter fundado o grupo mercenário Wagner Group, alinhado ao Kremlin, que atua na Síria, África e Ucrânia. Na sexta-feira passada, abriu um centro de tecnologia de defesa em São Petersburgo, para destacar suas credenciais militares.
Fonte: Veja